Pintura feita por um indígena do povo Huni Kuin, em exibição no MARDivulgação / Thales Leite

Rio – O Museu de Arte do Rio (MAR), na Praça Mauá, vai inaugurar neste sábado (30) uma exposição de pinturas inéditas produzidas pelo povo Huni Kuin, um dos principais guardiões das tradições ancestrais da Amazônia. A mostra exibe 20 obras que ilustram elementos da identidade e cosmologia e da etnia, que transita na fronteira entre o Brasil e o Peru.
Também chamados de Kaxinawá, os grupos vivem em aldeias no Acre, espalhadas pelos rios Tarauacá, Jordão, Breu, Muru, Envira, Humaitá e Purus.
Curador-chefe do MAR e responsável por essa produção, Marcelo Campos explica ao DIA a dimensão da exposição, em termos de importância e espaço: “Já é um desejo antigo do museu dedicar uma mostra exclusivamente aos Huni Kuin, é uma das maiores coleções institucionais dessa produção. Dentro disso, fizemos essas escolhas robustas, de 20 pinturas, em diálogo com o mural MAHKU, pintado pelo coletivo artístico Huin Kuni”.
"A instalação do mural está deslumbrante, quando pensamos na produção cromática e na história, parece uma revelação, um sonho, uma miragem. O público vai se surpreender com a escala da obra, que ocupa três paredes da sala, e ao mesmo tempo, com essa sedução das cores", projeta o curador.
Marcelo revela que as mensagens transmitidas pelas pinturas são fundamentalmente sobre conexão espiritual e harmonia com a natureza: "As obras tratam de passagens míticas, onde os rios se formam, os animais se agigantam, mas que são sempre sobre lições de vida, a importância da hierarquia dos mais velhos, o uso da medicina natural. Tudo isso está ali descrito".
O cacique Ninawá Inú, 47, pertencente à etnia prestigiada também detalha ao DIA aspectos da cosmologia defendida pelo povo: “Os elementos fundamentais são a espiritualidade, os cantos, a relação sagrada com a floresta, a oralidade, a coletividade e o respeito aos ancestrais e à natureza.”
“O povo habita principalmente a região do Amazonas e no Peru, e mantém viva a língua materna chamada Hãtxa Ku, repassada de geração em geração pelo cotidiano, dentro de fora das aldeias, nos rituais e nos cantos tradicionais”, afirma Ninawá.
O Museu de Arte do Rio fica na Praça Mauá, 5, Centro, e funciona das 11h às 18h, fechado às quartas-feiras e com entrada gratuita às terças-feiras.
A meia-entrada custa R$ 10 e a inteira, R$ 20. Ingressos disponíveis no site oficial e na bilheteria.

*Reportagem da estagiária Ágatha Araújo, sob supervisão de Raphael Perucci