Marcelo da Cruz Silva (à esquerda), de 41 anos, e Edivan Felipe de Assis (à direita), de 46Reprodução/Redes sociais

Rio - Um morador do Jardim Catarina, em São Gonçalo, que testemunhou os disparos feitos pela Polícia Militar contra dois pedreiros, contou que não houve ordem de parada nem voz de prisão. Ainda segundo o rapaz, em entrevista ao G1, Marcelo da Cruz Silva, de 41 anos, e Edivan Felipe de Assis, de 46, não tiveram chance de reagir à abordagem e foram alvejados por uma rajada de tiros. 
Conforme apurado pelo DIA, foram mais de 30 disparos contra os trabalhadores que estavam numa moto. "Eles passaram por mim, me cumprimentaram, deram bom dia, só que ele estava com uma ferramenta no colo. Uns trinta segundos depois, já escutei um monte de tiros, a rajada. Não teve voz de prisão, não teve pedido para parar, eles simplesmente chegaram próximo aos policiais que estavam escondidos e eles atiraram dessa forma", conta o morador.
Na nota oficial publicada pela PM também não consta a informação de troca de tiros: "Um procedimento apuratório segue em curso para averiguar todas as circunstâncias na qual policiais militares atingiram dois homens em uma motocicleta, durante ocupação na localidade de Ipuca".
A Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG) realizou a perícia e apreendeu as armas dos agentes do 7º BPM (São Gonçalo). O material será submetido a confronto balístico. Os corpos dos pedreiros foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) de Tribobó, onde aguardam liberação para o sepultamento.
Além disso, as imagens das câmeras corporais dos policiais já foram requisitadas. As gravações devem esclarecer a dinâmica dos fatos e o motivo de os agentes terem disparado tantas vezes contra os dois homens. Os agentes foram afastados das funções na corporação.