Ricardo Couto concedeu entrevista à Globonews nesta terça-feira (27)Reprodução / Globoplay

Rio - O governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, afirmou que o Estado do Rio buscará o ressarcimento do dinheiro investido pelo Rioprevidência - autarquia que realiza pagamentos a servidores aposentados e pensionistas - no Banco Master. Os aportes chegaram a cerca de R$ 3 bilhões.
Segundo apurações, entre outubro de 2023 e julho de 2024, o Rioprevidência realizou investimentos de R$ 970 milhões em Letras Financeiras. Posteriormente, entre dezembro de 2024 e outubro de 2025, devido a entraves regulatórios que dificultaram a continuidade das aplicações naquela modalidade de investimento, foram realizados aportes em fundos estruturados pelo mesmo grupo, em montante que teria atingido R$ 2,01 bilhões.
Em entrevista à Globonews nesta quarta-feira (27), a primeira como governador após assumir o cargo em março, Ricardo Couto disse que o estado está tomando "todas as medidas possíveis" para retomar o valor investido.
"A partir do instante que o estado faz investimento em uma instituição que quebra, tem que ter mecanismos judiciais para buscar o valor. O estado está tomando todas as medidas nesse sentido. Temos que olhar para todos os meios que o estado pode ter para recuperar o que perdeu investindo no Master. Em um primeiro momento, é ir ao Master e tentar buscar o que foi investido. Depois, nós podemos ir nos investidores. A Procuradoria procurou ir naqueles que tomaram empréstimos e estão devolvendo. Como? Bloqueando o valor da devolução para que o estado possa se recapitalizar. Tenho fé que o estado vai recuperar esse dinheiro", comentou.
Desde o início de seu mandato Couto já exonerou mais de 2 mil pessoas. O governador justificou que não há necessidade de tantos servidores nomeados e não concursados. Segundo ele, há indícios de funcionários "fantasmas". De acordo com o chefe do Poder Executivo, o Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ) solicitou dados para apurar possíveis irregularidades.
"Não há necessidade de tantos servidores nomeados e não concursados. No Tribunal de Justiça, temos uma média de 8%. Eu acho que o Executivo poderia ter um percentual nesse padrão. Quando eu identifico algo irregular, peço para mandar os dados ao Ministério Público, que tem por função fiscalizar e proceder da forma devida. O MP solicitou dados sobre a questão e estamos remetendo. Se for constatado que têm alguma irregularidade, irão tomar as medidas cabíveis e levar para judiciário. Encontramos indícios de funcionários que não compareceram no local de trabalho. Temos que saber o motivo. Tudo leva a crer que são 'fantasmas'. Por isso, a impossibilidade de mantê-los nos quadros do poder público", disse.
Couto ainda destacou a necessidade de diminuir o número de secretarias. "O estado possui 32 secretarias. É o estado com mais secretarias no país. A dimensão territorial do estado me parece que não nos leva a ter 32 secretarias. São Paulo tem 14. Minas Gerais, que é o estado com maior número de municípios no país, tem 16. Será que eu preciso de tantas secretarias para fazer gestão? Muitas vezes, o número tão excessivo traz um complicador para que eu possa conversar com o secretário e tentar chegar a solução de um problema. Essa é a primeira ideia: diminuir o tamanho para poder conhecer melhor o que há de necessário para população no estado", discursou.
Carreira
O desembargador, que é presidente do Tribunal de Justiça do estado (TJRJ), ocupou o cargo de governador após a renúncia de Cláudio Castro, em março. Formado em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e pós-graduado pela Universidade de Coimbra, Couto ingressou na magistratura em 1992, atuando na Vara de Família de São João de Meriti e na 3ª Vara Cível de Niterói.
Após a renúncia de Castro, Couto assumiu o Poder Executivo fluminense, já que o posto de vice-governador está desocupado desde a saída de Thiago Pampolha, que se tornou conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). Segundo na linha sucessória na época, o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar, foi preso em março.
O governador em exercício não sabe quanto tempo ficará no cargo. Em abril, o Supremo Tribunal Federal (STF) começou a votação para determinar o formato da eleição para o mandato-tampão, se será direta – com o povo indo às urnas – ou indireta – com os deputados da Alerj votando. Contudo, o julgamento foi paralisado por pedido de vista.
"A ideia era fazer uma transição para que o governo eleito assumisse, mas estamos com uma certa delonga e o estado não pode ficar parado. Dentro dessa ideia de dar prestação para a população é que eu fui levado à fazer uma gestão mínima. A ideia era fazer uma transição sem tocar no governo, permitindo àqueles que têm a legitimação popular pudessem proceder a essas atividades. Pelo o que estamos vendo, eu devo ficar um certo tempo e fazer a gestão para a população. O Supremo vai tomar a melhor decisão", disse.