Jéssica Santos, jornaleira e leitora do DIAReginaldo Pimenta/Agência O Dia

O Jornal O DIA completa 75 anos nesta sexta-feira (5), consolidado como um dos principais veículos de comunicação do Brasil. Presente nas bancas, nas ruas e na rotina de quem acompanha diariamente as notícias do Rio, ele segue conquistando público pela variedade de conteúdo, linguagem popular e preço acessível. Para muitos cariocas, a leitura virou hábito e até companhia.
Em meio às comemorações, uma equipe de O DIA conversou com leitores e jornaleiros que fazem parte da história construída pelo veículo ao longo de mais de sete décadas.

No Centro do Rio, em frente ao Edifício Central, o servidor estadual Diogo Almeida comprava mais uma edição quando definiu o jornal como seu favorito. "Ele consegue equilibrar o fator popular, por ser um jornal de baixo custo, mas, ao mesmo tempo, se preocupa com notícias mais complexas na área de política. Não é só um jornal policial como outros jornais. Eu sempre compro, herdei isso do meu falecido pai. Eu sou um dos poucos do meu trabalho que ainda compra mídia impressa", afirma.

Na banca, o jornaleiro Fernando da Silva, de 53 anos, que trabalha há 16 anos no local, reforça que a procura pelo DIA é sempre grande.

"Tem cliente fixo que gosta de folhear o jornal, de sentir. Temos um bom público. Particularmente, tem algumas matérias interessantes que procuro ler, mas eu gosto mais da parte de esportes", diz.

O mesmo acontece na Avenida Rio Branco, também no Centro, onde o jornaleiro Felipe Carvalho, de 37 anos, afirma ter clientes fiéis.

"Trabalho na banca há 11 anos. Eu leio mais a parte da capa para fazer comentários com os clientes e gosto mais da matéria esportiva, mas o DIA tem um público fiel, em que a maioria é idosa. Tem também aqueles para quem eu levo e entrego, pessoas que pagam antecipado", contou.

Jornal acompanha gerações

Ao longo dos seus 75 anos, o jornal atravessou diferentes gerações de leitores e manteve presença na rotina dos cariocas. Morador do Centro e comprador assíduo, Alexandre Garcia, de 58 anos, acompanha as páginas do impresso desde a década de 1990.

"Todo dia eu compro. Eu sou de São Paulo, mas, quando cheguei ao Rio, comecei a comprar e não parei mais. Eu cheguei aqui em 1992, sempre gostei, tinha até umas piadas bem legais", lembra.

O porteiro Gilson Pinheiro, de 69 anos, morador de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, também tece elogios ao jornal.

"Todo dia eu compro aqui. Eu gosto de ler, sempre li, desde pequeno, não sei mexer na internet direito não. O melhor jornal que tem é O DIA, é muito antigo. Está sempre acompanhando as notícias, é muito bom", destacou.

Moradora de Cavalcante, na Zona Norte, Paula Evelin, de 42 anos, faz da leitura um hábito. "Gosto de ler e tenho costume. Todo dia eu passo aqui e leio pelo menos o exemplar exposto. É uma rotina. Todo dia eu paro, mesmo atrasada", relata.

Já o jornaleiro Marcelo de Santana, de 51 anos, relembra a época em que o impresso ainda era preto e branco. "Eu sou da época em que o Jornal O DIA ainda era preto e branco. Eu já cheguei a vender 38 exemplares por dia. Trabalho há 36 anos na banca, tem bastante gente que ainda vem comprar, principalmente pessoas mais idosas que não estão acostumadas com a internet. Eu vejo geralmente só o cabeçalho, não tenho muito tempo de ler por causa do fluxo, mas a parte que mais me interessa é o esporte", explica.

Na banca, o ourives Marcelo Caldas, de 58 anos, morador de Niterói, na Região Metropolitana, e que trabalha no Centro, conta ter o costume de comprar o exemplar. "Eu leio jornal sempre, desde os meus 17 anos, porque gosto de ler no papel. Costumo comprar principalmente nos fins de semana, porque passo mais tempo lendo."

Outro jornaleiro, o vascaíno Arlindo Letter, de 65 anos, revela que segue o negócio da família e relembra o movimento nas bancas antes do avanço da tecnologia.

"Já cheguei a vender 150 exemplares. Eu fui criado no meio do jornal. Desde os meus 13 anos estou aqui, era do meu tio e estou dando continuidade. O DIA faz parte da minha vida e, particularmente, eu gosto mais da parte do esporte, sou vascaíno", conta.

Lembranças que marcam

Também no Centro da cidade, o auditor Anderson Serpa, de 50 anos, conta lembrar de acompanhar matérias do veículo desde a adolescência.

"Sempre fui leitor, desde que me conheço por gente. Eu lembro de ver muita matéria sobre transporte e, hoje em dia, gosto mais da parte de política e esportes. Trabalho aqui na frente e todo dia eu passo, cumprimento meus amigos, leio as manchetes e, quando vejo algo interessante, eu compro", explica.

Na Rua do Passeio, também no Centro, a moradora do Engenho Novo Jéssica dos Santos Vieira, de 34 anos, diz que acompanhou diferentes fases do jornal e relembra a época em que recorria aos classificados em busca de emprego.

"Vai fazer dois anos que trabalho aqui na banca e o pessoal ainda vem comprar, está sempre procurando. Eu acho O DIA muito bom. Lembro de, lá pelos anos 1990, a gente passar nas bancas procurando para ler, para saber das notícias. Já procurei muito emprego pelos classificados."

Outro jornaleiro, Luiz Antônio Albamonte, cita que ainda vende muitos exemplares na Rua Evaristo de Veiga.

"Ainda sai bastante. Eu gosto de ler a parte dos aposentados, previdência, futebol e as ações que estão acontecendo no estado e no país. Meu pai tem uma banca na Avenida Rio Branco e ele sempre trouxe O DIA. A gente esperava ele chegar todos os dias para ler. Às vezes, nem esperava, comprava logo", conta.

Na Praça Saens Peña, na Tijuca, Zona Norte, a também jornaleira Luciana de Oliveira, de 56 anos, revelou acompanhar o crescimento do jornal.

"Eu gosto de ler jornal porque não gosto muito de rede social e jornal é importante para a gente estar atenta ao que está acontecendo. O DIA vende muito, sai bastante. Apesar de muita gente preferir ver pelo telefone, eu tenho meus clientes assíduos que compram todo dia. Apesar de as folhas terem diminuído, o jornal ainda engloba vários assuntos. Tem pessoas que vêm aqui comprar outro jornal, mas levam O DIA junto. Nele saem coisas que não saem nos outros."

No local, o vigia Alexsander Cabral, de 34 anos, explicou que cresceu acompanhando o jornal, hábito que mantém atualmente, mesmo com a leitura mais frequente pelo celular.

"Eu costumo ler o impresso de vez em quando, mas sempre leio no celular. Ele é bom porque sempre passa as notícias de última hora, do que tem acontecido. É um jornal que já tem muitos anos, que eu acompanho desde criança", afirma.

Também vigia, Alexsandro Souza, de 71 anos, conta que herdou dos pais o hábito da leitura diária.

"Eu gosto de ler, sou do modo antigo. Tenho costume de ler desde pequeno. Todo dia, quando eu chego, a primeira coisa que faço é ler O DIA. Meus pais já liam e eu acompanho isso desde criança."

Trajetória

Com pouco mais de 2 milhões de habitantes em 1951, o Rio ainda era capital do Brasil quando o jornal foi fundado. Logo no editorial da primeira edição, estava clara a missão que o veículo passou a assumir: "Nascemos do apoio popular e só a ele devemos conta dos nossos atos. Livres de quaisquer compromissos com entidades ou grupos, estaremos onde estiver o interesse coletivo e não teremos outro chefe, outro orientador, senão aquele em cujo nome falaremos sempre: o povo."

Quando os jornaleiros anunciaram a primeira edição nas ruas, um caderno de oito páginas, compacto e leve, destacava na manchete problemas que persistem até hoje: "Roncando de olhos abertos: a tragédia de um povo que só tem existido para sofrer e pagar impostos."

Desde sua criação, o periódico se destacou por sua capacidade de se adaptar às mudanças no cenário midiático. Nos anos 1980 e 1990, ganhou ainda mais notoriedade ao investir em reportagens investigativas e na cobertura de temas de grande interesse público, como a violência urbana, a crise econômica e as questões sociais que afetam a população carioca.

A partir desse período, o jornal registrou um grande aumento de circulação e conquistou diversos prêmios nas áreas jornalística, administrativa e de marketing, revolucionando o conceito de jornalismo popular no Brasil.