Moderno COI funciona como a torre de controle de toda a concessãoDivulgação

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Satélite, inteligência artificial e equipamentos instalados sob as ruas estão ajudando a reduzir um dos maiores desafios do saneamento: o desperdício de água tratada. Com esse trabalho, a Águas do Rio já recuperou 301 bilhões de litros que antes se perdiam em vazamentos na rede de distribuição. Para se ter uma ideia do que isso significa, esse volume seria suficiente para abastecer uma cidade de 1,1 milhão de habitantes durante três anos.
É uma guinada e tanto. Quando a concessionária assumiu a operação, no fim de 2021, o cenário geral na área de atuação - que abrange 26 municípios e 124 bairros da capital - era de um sistema em colapso, com perdas que chegavam a 65%. Hoje, com o avanço da modernização, a concessionária chegou ao índice de 40% e acelera para atingir a meta de 25% muito antes de 2033, prazo limite do Marco Legal do Saneamento.

O segredo dessa recuperação está na espécie de "visão de raio-x" implementada pela companhia. Do alto, um satélite de alta precisão monitora os 17 mil quilômetros de rede e localiza vazamentos invisíveis sob o asfalto e o concreto. Só em 2025, a tecnologia evitou o desperdício de 21,8 bilhões de litros de água. No subsolo, o trabalho é complementado por 200 válvulas inteligentes instaladas em pontos estratégicos do sistema de abastecimento. Elas regulam automaticamente a pressão nas tubulações, reduzindo vazamentos e prevenindo rompimentos.
E o cérebro por trás dessa aceleração atende por uma sigla: COI. Considerado um dos mais modernos da América Latina, o Centro de Operações Integradas da Águas do Rio funciona como a torre de controle de toda a concessão. Em uma dinâmica que não dorme, rodando 24 horas por dia, o espaço centraliza o monitoramento em tempo real de cada gota que corre pelo sistema. Com mais de 1,5 mil unidades automatizadas e 48 mil variáveis em tempo real, o COI assegura respostas rápidas e confiabilidade ao sistema.
“Estamos operando um ecossistema de inovação que devolve ao sistema uma quantidade de água equivalente ao consumo de uma metrópole de 1,1 milhão de pessoas. Isso é maior que mais de 90% dos municípios brasileiros. É o uso de tecnologia e de dados garantindo que a água que antes se perdia pelo caminho chegue, finalmente, à casa de quem mais precisa. E, ao garantirmos que a água produzida chegue ao destino final, diminuímos drasticamente a pressão sobre os mananciais e rios, preservando a natureza em tempos de mudanças climáticas severas", destaca Sinval Andrade, diretor institucional da Águas do Rio.
Menos desperdício, mais água na torneira
Toda a sofisticação da tecnologia encontra seu verdadeiro propósito quando cruza a porta de Maria de Lourdes da Silva, de 70 anos. No Morro da Formiga, reduto da Tijuca, na Zona Norte, ela passou décadas carregando o estigma e o peso da lata d’água na cabeça. A rotina exigia jornadas cansativas até uma cachoeira na comunidade, disputando espaço em filas que tornavam o sobe e desce das ladeiras um risco diário. Hoje, a água chega direto na torneira de sua cozinha.
“A gente carregava balde, se machucava, era uma luta diária. Achei que não viveria para ver água encanada aqui em casa”, confessa a aposentada. Com a rotina transformada, ela já se permite fazer planos: “Agora que tem água sobrando e o serviço é garantido, estou até pensando em colocar uma piscininha no quintal para os netos.”
Maria de Lourdes, de 70 anos, moradora do Morro da Formiga - Divulgação
A mudança na vida de Dona Maria ilustra um impacto que vai além do hidrômetro. Ao integrar quase um milhão de moradores de comunidades ao sistema formal de abastecimento, a concessionária entrega mais do que infraestrutura: garante cidadania. Para milhares de fluminenses, a conta de água passou a ser o primeiro comprovante de residência de suas vidas, um passaporte para a entrada no mercado de crédito e para a formalização da vida em sociedade.
Investimentos
Tamanha transformação é impulsionada por cifras robustas. Em pouco mais de quatro anos, a companhia já injetou R$ 6,3 bilhões na área de operação, viabilizando a substituição de 1,8 mil quilômetros de redes de água e a modernização estratégica de sistemas de bombeamento. E este é apenas um retrato do momento: o resgate dos 301 bilhões de litros integra um plano de investimentos que prevê R$ 19 bilhões até 2033.
Com a responsabilidade de atender 10 milhões de pessoas em 27 municípios, o compromisso com a universalização e com o uso racional da tecnologia, o Rio de Janeiro prova que o acesso à água pode deixar de ser um privilégio ditado pela geografia para se consolidar como um direito inegável em cada torneira da região metropolitana.
Sistema é reforçado por 200 novas válvulas inteligentes, que estabilizam a pressão das tubulações - Divulgação