Leandro de Souza, o Pequeno; Michel Malveira, o Mangolê; Alexandre Ramos, o PescadorDivulgação

Rio - A Polícia Civil identificou os três traficantes que assumiram o comando do Terceiro Comando Puro (TCP) no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, após as mortes de Thiago da Silva Folly, o TH, e Edmilson Marques de Oliveira, o Cria, que lideravam o esquema criminoso na região até 2025. Em coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (10), durante uma operação na comunidade, as autoridades apontaram Michel de Souza Malveira, o Mangolê; Alexandre Ramos Nascimento, o Pescador; e Leandro de Souza Nunes, o Pequeno, como as atuais lideranças da facção.
"Eles já figuram em outras investigações, tanto na 21ª DP (Bonsucesso) quanto em delegacias especializadas. Esta investigação confirmou o que já sabíamos, eles seguem na liderança ativa, controlando toda a cadeia do tráfico de drogas, além dos roubos de veículos e de cargas", afirmou o subsecretário de Planejamento e Integração Operacional (Sspio), delegado Carlos Oliveira.

Segundo as investigações, os criminosos mantêm, de dentro da Maré, um esquema estruturado de roubos de carga e lavagem de dinheiro. As apurações indicam que integrantes da facção realizavam ataques sistemáticos a caminhões que circulavam pela Avenida Brasil, Linha Vermelha e Linha Amarela.

A Polícia Civil também identificou que o TCP exerce controle econômico sobre serviços essenciais dentro das comunidades, monopolizando atividades como a venda de gás, o fornecimento de água e o acesso à internet.

Além disso, os suspeitos estariam à frente de um esquema de roubo e receptação de celulares. De acordo com os investigadores, os assaltos não eram ações isoladas, mas parte de uma estrutura organizada pela facção. Os criminosos atuavam sob ordens diretas do responsável pelo gerenciamento operacional dos crimes e contavam com armas, motocicletas e metas de arrecadação, incluindo a exigência de um número determinado de aparelhos desbloqueados em cada ação.

As vítimas eram abordadas por homens armados e coagidas a desbloquear os celulares no momento do assalto. A própria facção estabelecia os valores dos aparelhos: celulares desbloqueados podiam render até R$ 2,5 mil, enquanto os bloqueados eram avaliados entre R$ 300 e R$ 600.

Mortes de lideranças do TCP

Em maio do ano passado, Thiago da Silva Folly, o TH, considerado à época um dos traficantes mais procurados do Rio e chefe do TCP, foi morto durante uma operação da Polícia Militar no Complexo da Maré. O criminoso foi localizado em uma residência na comunidade do Timbau após levantamento de informações pelo setor de inteligência da corporação.

Em setembro do mesmo ano, a Polícia Civil realizou uma operação emergencial na Maré para conter uma suposta disputa entre facções criminosas. Na ocasião, Edmilson Marques de Oliveira, o Cria, morreu durante a ação.