A situação obrigou os moradores a improvisarem para realizar atividades básicasArquivo pessoal
Os moradores afirmam que já registraram diversos protocolos junto à concessionária Águas do Rio, mas dizem não ter recebido uma solução definitiva. Em alguns imóveis, a água não chega; em outros, chega com pressão insuficiente para abastecer caixas d’água e cisternas.
O servidor público Marcello Vargas conta que está sem água desde o dia 2 de junho. "A rua inteira enfrenta o problema, mas a concessionária sequer reconhece a falha. Quando ligamos, eles dizem que está tudo normal. Já abrimos inúmeros protocolos e nada é resolvido. O mais revoltante é que esse problema acontece praticamente toda semana desde que me mudei para cá, há três anos", critica.
Segundo ele, a situação obrigou os moradores a improvisarem para realizar atividades básicas. "A gente conseguiu lavar louça e dar descarga usando água da chuva e da piscina. Eu já precisei tomar banho na academia. Tenho cisterna, mas depois de tantos dias sem abastecimento ela acaba. O serviço é terrível. Parece que a gente reclama e ninguém está nem aí. A conta chega certinha, mas a água não", desabafa.
Marcello também afirma que os moradores estudam ingressar com uma ação coletiva contra a Águas do Rio.
"Estamos nos organizando para procurar a Defensoria e entrar na Justiça. É um problema recorrente que prejudica demais a vida de todo mundo aqui", argumenta.
O analista de sistemas Luiz Eduardo Guimarães Gomez acredita que a origem do problema esteja na elevatória que atende a região
"Temos três ruas envolvidas nessa situação. Em algumas casas a água não chega, em outras chega com pouca pressão e não consegue subir para as caixas. Esse problema provavelmente está relacionado à bomba que fica na Rua Uruguai, em frente ao Country Clube da Tijuca. É algo que acontece há muitos anos", relata.
Ele afirma que técnicos já estiveram na região, mas o abastecimento continua comprometido. "Eles aparecem, medem a pressão do hidrômetro, dizem que vão resolver e nada acontece. Estamos sem qualquer previsão de normalização", comenta.
Luiz destaca ainda que a situação afeta centenas de moradores, incluindo idosos e famílias com crianças.
"São dezenas de casas e até prédios na região. Tem muita gente idosa e famílias inteiras sofrendo com a falta d’água. Nem o fornecimento de caminhão-pipa consegue atender adequadamente porque as ruas são muito íngremes. Já mandei e-mail, fui na ouvidoria, reclamei muito e nada", reclama.
Moradora da Rua Ribeirão Preto desde a infância, Kathleen de Araujo Lima Cardoso afirma que convive com problemas de abastecimento há muitos anos. "Minha família se mudou para cá nos anos 60 e já faltava água naquela época. O principal problema sempre foi essa bomba que leva água para as ruas mais altas. Quando falta água, a bomba desliga e, quando o abastecimento retorna, muitas vezes ela não é religada. Somos nós que precisamos avisar a concessionária que continuamos sem água", conta.
Atualmente, segundo ela, o abastecimento é insuficiente até para encher as caixas d’água.
"Estou sem água desde o dia 1°. Estamos comprando água mineral, pagando para lavar roupa fora de casa e economizando cada gota que entra na cisterna. Nos sentimos esquecidos", pontua.
Problema já havia sido denunciado em fevereiro
A situação não é inédita. Em fevereiro deste ano, moradores das mesmas ruas denunciaram para O DIA as interrupções frequentes no abastecimento de água. Na ocasião, relatos semelhantes apontavam falhas na mesma elevatória da Rua Uruguai e sucessivos períodos sem fornecimento regular. O serviço só foi normalizado um dia depois da reportagem.
Por meio de nota, a concessionária Águas do Rio informou que vai enviar uma equipe aos endereços citados para verificar a ocorrência.




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