Fábio tinha baixa visão e defendia o amigo quando foi atingidoRRede Social

Rio - Fábio Ferreira da Silva, conhecido como Fabinho, de 44 anos, morto pelo sargento da Polícia Militar Wellington Sacramento dos Santos, em Campo Grande, na Zona Oeste, tinha baixa visão e estava defendendo o amigo no momento em que foi atingido. Na ocasião, o agente iniciou uma briga devido a um desentendimento entre seu filho e uma outra criança, de apenas 8 anos.
O enterro será nesta segunda-feira (22) no Cemitério de Campo Grande, às 11h. Nas redes sociais, a família da vítima pede por justiça. "Imploramos pela justiça (...) Essa covardia não pode ficar impune, como foi com minha família, poderia ter sido com a sua, chega de covardia no dia a dia de quem realmente é inocente", disse uma parente.
Segundo um amigo, Fábio tinha apenas entre 15% e 25% da visão e não costumava se envolver em confusões. Nas redes sociais, ele também publicou um desabafo direcionado ao policial militar.
"Fabinho desde novinho não enxerga direito, ele tem de 15% a 25% da visão e você tirou a vida do rapaz, sabe em que circunstância? Porque você arrumou um tumulto, entrou numa briga de criança, meteu a mão no filho dos outros sem o pai estar ali e eu conheço o pai, que também cresceu comigo, e agora não queria que ninguém falasse nada? Você é quem? Você tem que manter o respeito, tem que honrar a farda que veste, porque essa farda aí é pra proteger o cidadão, não é pra tirar a vida de cidadão", destacou.
O amigo da vítima ainda ressaltou que não havia mais ninguém armado no local e que não há justificativa para legítima defesa.
"Não tinha ninguém armado, não tinha bandido nenhum ali não, você já tinha dado coronhada, depois deu um tiro no rosto do Fábio, você estava tão descontrolado que não percebeu que o rapaz não enxergava direito", acrescentou.
O caso aconteceu durante ao jogo do Brasil contra o Haiti pela Copa do Mundo, na noite desta sexta-feira (19), na Praça Polo Gastronômico Rosário Trotta, onde várias pessoas estavam reunidas assistindo a partida.
Segundo a PM, o agente, que estava fora de serviço, se apresentou à 35ª DP (Campo Grande) e alegou ser o autor dos disparos, informando que houve um desentendimento em uma praça e que os envolvidos teriam atentado contra sua integridade física. A Corregedoria Geral da corporação instaurou um inquérito policial para averiguar as circunstâncias dos fatos.

Segundo a Polícia Civil, os envolvidos e testemunhas foram ouvidos e a investigação está em andamento na Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) para esclarecer o caso.