Suspeito de movimentar R$ 150 milhões morava em mansão no SurinameDivulgação / Polícia Federal
Suspeitos de lavagem de dinheiro e tráfico internacional de armas para o Comando Vermelho são presos
Segundo as investigações, um dos detidos movimento mais de R$ 150 milhões
Rio - A Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF) prenderam, neste final de semana, quatro pessoas por suspeita de lavagem de dinheiro e tráfico internacional de armas e drogas para o Comando Vermelho. De acordo com as investigações, um dos detidos movimentou mais de R$ 150 milhões.
No sábado (20) e no domingo (21), agentes da PF e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPF realizaram uma operação para desarticular a estrutura financeira e logística transnacional vinculada à facção no Rio de Janeiro.
Segundo as apurações, há núcleos responsáveis pela movimentação, ocultação e dissimulação de recursos ilícitos utilizados para financiar a aquisição de armas de uso restrito e de drogas provenientes do exterior para abastecimento do CV no Estado do Rio e em outras regiões do país.
Agentes descobriram que o Comando Vermelho usa empresas de fachada, "laranjas", depósitos fracionados, transferências via PIX, contas de passagem e movimentações incompatíveis com a capacidade econômica dos envolvidos para ocultar a origem ilícita dos valores e garantir o pagamento a fornecedores, tanto os nacionais quanto os internacionais.
No Rio, as equipes prenderam um homem apontado como operador financeiro da facção, suspeito de utilizar contas pessoais e empresariais para pulverizar recursos ilícitos e viabilizar pagamentos a fornecedores.
Um segundo homem e uma mulher foram detidos em Suriname, menor país da América do Sul. Autoridades locais prenderam os suspeitos e depois os deportaram para Belém, no Pará. Eles são considerados membros do eixo transnacional de movimentação financeira e logística da facção.
De acordo com a PF, o investigado é um operador financeiro, que movimentou mais de R$ 150 milhões, com atuação na região de fronteira e vínculo com repasses destinados à aquisição de armamentos. A mulher, por sua vez, é apontada como operadora logística e financeira, com histórico de deslocamentos ao Suriname em períodos compatíveis com movimentações suspeitas de recursos.
O quarto preso foi encontrado em Tabatinga, cidade no Amazonas que faz fronteira com Colômbia e Peru. Ainda segundo a PF, ele é responsável por uma empresa utilizada no fluxo financeiro da organização na região amazônica, especialmente para os pagamentos vinculados à logística transnacional de drogas e armas.
Todos os quatro tinham mandados de prisão preventiva expedidos pela 5ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. Outras nove pessoas são consideradas foragidas, incluindo lideranças do CV no Rio.
No eixo patrimonial, a Justiça Federal autorizou medidas de bloqueio, sequestro e indisponibilidade de bens, direitos e valores até o limite de quase R$ 500 milhões. O objetivo da determinação é atingir a capacidade econômica da organização, impedir a dissipação patrimonial e interromper o financiamento das atividades ilícitas.
Uma das medidas é a suspensão das atividades econômicas de pessoas jurídicas apontadas como empresas de fachada ou contas de passagem utilizadas pela facção.
A Operação Red Fox busca enfrentar o crime organizado transnacional, com foco na desestruturação financeira de facções criminosas, na interrupção de rotas internacionais de abastecimento ilícito e na responsabilização de operadores que sustentam economicamente a violência armada no Rio.
As investigações seguem em andamento para localização dos demais foragidos, aprofundamento da análise financeira e telemática e identificação de outros integrantes da rede criminosa.

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