Motoristas de ônibus anunciam greve a partir de segunda-feira (29) Divulgação/ Sindicato dos Rodoviários do Rio

Rio - O Sindicato dos Rodoviários encaminhou, nesta quarta-feira (24), um ofício à Prefeitura do Rio, ao Sindicato das Empresas de Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro (Rio Ônibus) e aos consórcios de transporte da cidade (Intersul, Internorte, Transcarioca e Santa Cruz), comunicando o prazo legal de 72 horas para o início de uma greve da categoria. O Ministério Público do Trabalho (MPT) também recebeu o aviso.
Como não houve contraproposta por parte das empresas, os motoristas de ônibus do município anunciaram a paralisação a partir da meia-noite da próxima segunda-feira (29).

De acordo com o presidente do sindicato, Sebastião José, apesar de o estado de greve já ter sido decretado, a paralisação tornou-se inevitável devido à falta de novos contatos do Rio Ônibus com a entidade. A última proposta apresentada previa um reajuste salarial de 4,39%, correspondente ao IPCA acumulado até abril deste ano.

"Iremos realizar no próximo dia 28, às 18h, uma assembleia geral para ratificar a decisão dos trabalhadores. São mais de 30 anos cedendo aos argumentos patronais, mas agora essa situação precisa e vai mudar. É uma verdadeira falta de respeito com uma categoria que, muitas vezes, trabalha mais de 14 horas por dia e ainda fica exposta à violência diária da cidade, sofrendo sequestros e agressões que afetam diretamente a saúde psicológica dos profissionais e prejudicam suas relações familiares e profissionais. Isso é um verdadeiro absurdo", afirmou o presidente.
Com a proposta apresentada, aplicada sobre os valores atuais dos salários e do auxílio-alimentação da categoria, o motorista de ônibus convencional teria um reajuste de R$ 150,15, passando de R$ 3.420,16 para R$ 3.570,31. Já o motorista de articulado, na categoria 'E', teria aumento de R$ 180,17, passando de R$ 4.104,18 para R$ 4.284,35. O auxílio-alimentação seria reajustado em apenas R$ 29, passando de R$ 660 para R$ 689.

Sebastião garante que a categoria não abre mão da pauta aprovada em assembleia e encaminhada ao Rio Ônibus. Entre as reivindicações estão a mudança da data-base para 1º de março; salário de R$ 5 mil para motoristas de ônibus articulados e de R$ 4 mil para os demais motoristas; fim dos contratos temporários; contratação via CLT para os profissionais do BRT; ticket-alimentação de R$ 1 mil; jornada de trabalho no regime 5x2; manutenção do passe livre para a categoria; indenização dos 30 minutos do intervalo de almoço; além da oferta de planos de saúde e odontológico.

"Queremos apenas o que nos é de direito. Espero que esse impasse ainda possa ser resolvido, evitando que, mais uma vez, milhares de usuários paguem o preço dessa disputa. Em todos esses anos como sindicalista, não me lembro de algo parecido ter ocorrido", completou.

A assembleia da categoria será realizada na sede social do sindicato, localizada na Estrada do Otaviano 404, em Rocha Miranda, na Zona Norte do Rio.
Procurados, a prefeitura, o Rio Ônibus e o MPT ainda não responderam se receberam o ofício do sindicato. O espaço está aberto para manifestação.