Bicheiro Rogério de Andrade está preso desde 2024Reginaldo Pimenta/Agência O Dia
O ministro do STJ Rogerio Schietti Cruz suspendeu a decisão anterior da Justiça do Rio, que havia retirado o bicheiro do Regime Disciplinar Diferenciado e determinado a volta dele ao sistema prisional estadual. Desde 2024, Andrade cumpre pena em um presídio federal em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.
Na decisão, o ministro concordou com o argumento do MPRJ sobre a prisão do contraventor em uma unidade fora do Rio. Segundo o magistrado, a permanência de Rogério em um presídio federal não depende do surgimento de novos fatos; basta que permaneçam os motivos que levaram à transferência dele para fora do estado.
O ministro destacou a existência de elementos indicativos de periculosidade. Ele também pontuou a posição de liderança em organização criminosa, com influência no sistema prisional e em órgãos de segurança pública, além do risco à ordem pública e à instrução criminal.
Rogério de Andrade e Fernando Iggnácio são, respectivamente, genro e sobrinho de Castor de Andrade. Desde a morte de um dos maiores chefes do jogo do bicho no Rio, em 1997, eles disputavam os pontos da contravenção. O crime aconteceu no estacionamento de um heliporto no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste. Na ocasião, Iggnácio foi atingido por três tiros, sendo um deles na cabeça.
A denúncia do MPRJ aponta Andrade e Márcio Araujo de Souza como os mandantes da morte de Iggnácio. A execução do crime foi realizada por Rodrigo Silva das Neves, Ygor Rodrigues Santos da Cruz, o Farofa, Pedro Emanuel D'Onofre Andrade Silva Cordeiro, o Pedrinho, e Otto Samuel D'Onofre Andrade Silva Cordeiro. Após ser denunciado em 2021, Rogério acabou solto no ano seguinte, por decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).
O patrono da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel chegou a ser preso outra vez em 2022. Ele deixou a cadeia poucos meses depois, após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) conceder uma liminar para substituir a prisão preventiva por medidas cautelares, que incluíam o uso de tornozeleira eletrônica e o recolhimento domiciliar à noite. Em abril de 2024, o ministro Kassio Nunes Marques também revogou as medidas cautelares.
Por fim, o contraventor foi novamente preso em 2024, durante a Operação Último Ato. Desde então, cumpre pena em uma penitenciária federal de segurança máxima. Antes disso, Rogério de Andrade ficou preso em uma cela isolada de 6 m² na penitenciária Laércio da Costa Pellegrino, em Bangu 1, unidade prisional de segurança máxima do estado do Rio.

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