Ex-prefeito Marcelo Crivella anuncia pré-candidatura ao Senado FederalReprodução / Redes sociais

Rio - O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), suspendeu na terça-feira (30) os efeitos da decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) que havia tornado o deputado federal Marcelo Crivella (Republicanos) inelegível. Com a liminar, o ex-prefeito do Rio poderá disputar as eleições de 2026 para o Senado Federal enquanto o recurso apresentado à Corte é analisado pelo TSE.

A medida suspende temporariamente os efeitos do acórdão do TRE-RJ, que, em outubro de 2024, condenou Crivella por abuso de poder político e econômico em ação que investigou o esquema conhecido como "QG da Propina". Na decisão, André Mendonça destacou que houve um voto divergente da desembargadora Kátia Valverde Junqueira, que, com base no mesmo conjunto de fatos e provas analisado pela maioria, concluiu não haver elementos suficientes para relacionar as condutas investigadas às eleições de 2020.

O ministro também entendeu que a controvérsia não exige, necessariamente, um novo exame das provas, mas sim uma reavaliação da interpretação jurídica dos fatos reconhecidos pelo TRE-RJ. Segundo ele, essa circunstância justifica uma análise mais aprofundada do recurso pelo TSE.

Mendonça ressaltou ainda que a liminar não absolve Crivella nem altera o mérito da condenação, apenas suspende temporariamente seus efeitos até o julgamento definitivo do recurso pela Corte Superior.

Na tarde desta quarta-feira (1º), Crivella publicou um vídeo nas redes sociais confirmando sua pré-candidatura ao Senado. "Isso nos trouxe um alívio enorme. Deus, através da vida do ministro André Mendonça, nos deu essa grande notícia", afirmou aos seguidores.
'QG da propina'
Em janeiro deste ano, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) apresentou uma ação por improbidade administrativa contra Crivella e outras dez pessoas, acusando-os de participação em um esquema de corrupção que teria movimentado cerca de R$ 32 milhões em propinas no município. A denúncia integra os desdobramentos do caso conhecido como 'QG da Propina', e foi protocolada em dezembro de 2025, mas ainda aguarda análise da Justiça fluminense.
Segundo o MPRJ, as investigações identificaram um esquema estruturado de fraude em licitações durante a gestão de Crivella, com uso de empresas de fachada, emissão de notas fiscais frias e contratos simulados para desviar recursos públicos. O órgão afirma que a organização agia de forma "planejada, consciente e coordenada" para favorecer interesses privados em detrimento do interesse público.
No ponto principal da denúncia está um contrato de R$ 789 milhões firmado entre o Previ-Rio — instituto de previdência dos servidores municipais, que era presidido à época dos fatos por Bruno de Oliveira Louro — e o grupo Assim Saúde. De acordo com os promotores, a licitação teria sido direcionada ilegalmente, com o edital elaborado sob medida para favorecer a empresa que venceu o certame.
O MP sustenta ainda que foi ajustado um pagamento de propina correspondente a aproximadamente 3% do valor global dos contratos, o que resultaria em pagamentos mensais que chegavam a cerca de R$ 2 milhões e totalizariam os R$ 32 milhões em vantagens indevidas que o órgão quer ver devolvidos aos cofres públicos.