Fernando Iggnácio foi executado a tiros em novembro de 2020Divulgação
Os depoimentos reforçaram a tese do Ministério Público de que a execução foi planejada com antecedência e envolveu monitoramento detalhado da rotina da vítima. O primeiro a ser ouvido foi o delegado Moysés Santana Gomes, responsável pela investigação à época. Ele relatou aos jurados que a equipe da Delegacia de Homicídios analisou imagens de câmeras de segurança durante sete dias consecutivos para reconstruir o trajeto percorrido pelos envolvidos após o crime.
Segundo o delegado, as diligências permitiram identificar inicialmente o ex-policial militar Rodrigo Silva das Neves, já condenado pelo homicídio, e posteriormente chegar aos demais. Moysés também afirmou que Pedro Emanuel realizou um voo de reconhecimento três dias antes da execução, repetindo o mesmo trajeto que Fernando Iggnácio costumava fazer entre Ilha Grande e o Rio de Janeiro.
Na sequência, o policial civil Luciano Konig, responsável pelos relatórios de análise telemática do caso, declarou que os dados extraídos de aparelhos eletrônicos apontam que o planejamento do assassinato começou meses antes da execução. De acordo com ele, fotografias, vídeos e registros digitais encontrados durante a investigação permitiram montar uma linha do tempo das ações preparatórias.
Também prestaram depoimento o coordenador de voo da Heli-Rio, André Ribeiro Guerra; o zelador Jorge Alexandre Ferreira; o instalador de câmeras Eduardo Amâncio; e a perita Maria Laura Almeida Barbosa, responsável pelos exames nas armas utilizadas no atentado.
Além das testemunhas presenciais, os jurados assistiram aos depoimentos gravados do piloto Diego Tichetti, que costumava transportar Fernando Iggnácio, e da administradora da Heli-Rio, Vanessa Mouzo.
Relembre o caso
Fernando Iggnácio, genro do contraventor Castor de Andrade, foi morto em 10 de novembro de 2020. Na ocasião, ele desembarcou de um helicóptero vindo de Angra dos Reis e caminhava em direção ao seu veículo quando foi atingido por disparos de fuzil.
As investigações apontam que os autores permaneceram escondidos por horas em uma área próxima ao heliponto aguardando a chegada da vítima. Segundo a Polícia Civil, o ataque foi resultado de uma emboscada cuidadosamente planejada.
Além dos irmãos julgados nesta semana, o ex-PM Rodrigo Silva das Neves já foi condenado a mais de 32 anos de prisão. O contraventor Rogério Andrade, apontado pelo Ministério Público como mandante do crime, responde a um processo separado e permanece preso em presídio federal.
A expectativa é que o julgamento dos irmãos Pedro Emanuel e Otto Samuel seja concluído nesta sexta-feira (17), quando os jurados deverão decidir sobre a responsabilidade dos réus no homicídio.

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