Familiares das vítimas e ativistas realizaram ato em memória aos 33 anos da Chacina da CandeláriaReginaldo Pimenta/Agência O DIA
Ao O DIA, o fundador da Associação Beneficente AMAR, Sebastião de Andrade, de 65 anos, conta que acompanha o movimento desde a missa de sétimo dia, em 1993. Ele acredita que, mesmo com o passar dos anos, ainda há muito o que avançar na política de defesa e proteção à criança e ao adolescente.
"Volta e meia um congresso inimigo do povo levanta a pauta de redução da lei penal sabendo que as oportunidades de políticas públicas de educação, saúde, lazer, profissionalização e tudo aquilo que é vida digna para crianças e adolescentes, não acontece. Então manter esse movimento ‘Candelária Nunca Mais’ é manter vivo o grito em favor da dignidade da pessoa humana, das políticas públicas. Estamos sempre gritando e a cada 23 de julho reunindo crianças, adolescentes, jovens e os chamados operadores da garantia de direito", frisou.
Irmã de um dos sobreviventes da chacina, Sônia Maria Araújo, 62 anos, comentou sobre a importância de continuar lutando.
"Para gente é um marco. São 33 anos e a gente continua lutando por dias melhores para nossas crianças que moram em comunidades, que moram em favelas. Para nossas crianças pretas, porque são os pretos que são mais abordados com truculência pela polícia", explicou.
Sônia acrescentou que o irmão, Wagner dos Santos, 45 anos, agora mora no exterior, mas ainda assim, ela faz questão de participar dos atos todos os anos.
"Continua se repetindo os governantes e eles não têm políticas públicas para esses jovens, essas crianças que moram nas periferias, nas grandes favelas, nas grandes comunidades. Então, eles acham que o melhor é matar, porque quanto menos preto, pra eles, é melhor", afirmou.
Chacina da Candelária
Em homenagem às vítimas, há em frente à igreja um pequeno monumento que relembra a chacina. Ele é constituído por uma cruz de madeira, que tem inscrito os nomes dos jovens assassinados, e uma placa de concreto.


















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