O etíope Tedros Adhanom é o primeiro africano a ocupar o cargo mais alto da OMSReginaldo Pimenta / Agência O Dia
Tedros contou que se sentiu honrado com a homenagem e relembrou quando, ainda como ministro da Saúde na Etiópia, em 2006, realizou uma parceria com a Fiocruz.
“Naquela época, a Etiópia estava ampliando rapidamente o acesso aos serviços de saúde, mas também queríamos acompanhar de perto os resultados desse processo, uma das melhores experiências que encontramos foi justamente a da Fiocruz. Por isso, estar hoje na Fiocruz não é importante apenas pela homenagem que recebo, uma honra que, na verdade, pertence a todos nós, mas também pela oportunidade de vir pessoalmente agradecer ao Brasil pelo apoio dado à Etiópia. A Fiocruz é uma referência na promoção da equidade em saúde e uma grande defensora da cooperação entre os países do Sul Global”, destacou o diretor-geral da OMS.
A homenagem, aprovada por unanimidade pelo Conselho Deliberativo da Fiocruz em setembro de 2025, reconhece o impacto da atuação de Adhanom no aumento do acesso à saúde global e na liderança da principal agência de saúde pública do mundo durante a pandemia da covid-19. Ainda durante o evento, Tedros elogiou o Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro, ressaltando o atendimento a mais de 200 milhões de pessoas.
“Se tem uma grande lição que o modelo brasileiro pode ensinar ao mundo, com a Fiocruz como um dos pilares da ciência e da saúde pública no país, é o compromisso com a cobertura universal de saúde. A saúde é um direito humano fundamental, não é um privilégio de alguns ou da maioria, mas um direito de todas as pessoas. Fico muito satisfeito em ver que o Brasil acredita fortemente nesse princípio. É exatamente esse compromisso que eu gostaria de ver sendo adotado por todos os países. Acredito que o mundo tem muito a aprender com o Brasil e com o SUS”, pontuou.
Tedros ainda abordou temas como os principais desafios enfrentados pela saúde global, alertando que 75% das mortes nos dias de hoje ocorrem por doenças crônicas não transmissíveis, que podem ser evitadas com alimentação, atividade física e hábitos de vida. Por fim, comentou que a população mundial segue vulnerável a emergências, como pandemias, e fez um apelo aos líderes governamentais.
“Outro desafio importante é que o mundo continua vulnerável a emergências em saúde, como pandemias. Depois das lições da COVID-19, temos trabalhado para melhorar nossa capacidade de resposta. No entanto, ainda há muito a ser feito para estarmos realmente preparados. A mensagem para os líderes mundiais é que a solidariedade é a nossa melhor imunidade. A saúde global não pode ser eficaz sem solidariedade. Nenhum país, por mais poderoso que seja, consegue enfrentar esses desafios sozinho. A saúde global só avança por meio da cooperação entre os países”, concluiu.




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