Homem se queimou durante o crime e está com as mãos enfaixadasDivulgação / PCERJ
MPRJ denuncia homem por matar companheira queimada em Rio das Pedras
Daiana Malvino dos Santos teve 52% do corpo queimado; Carlos Alberto Alves Rempem Filho foi preso por ameaçar a sogra durante a investigação
Rio - O Ministério Público do Rio (MPRJ) denunciou, nesta terça-feira (4), Carlos Alberto Alves Rempem Filho, conhecido como "Tataliba", pelo crime de feminicídio qualificado. Em setembro de 2025, o homem foi preso enquanto era investigado por agredir e atear fogo na companheira, Daiana Malvino dos Santos, em Rio das Pedras, na Zona Sudoeste. A mulher teve 52% do corpo queimado e morreu após ficar sete dias internada.
De acordo com a denúncia da 2ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal de Violência Doméstica da Área Oeste e Jacarepaguá do Núcleo Rio de Janeiro, o casal mantinha um relacionamento marcado por agressões físicas e psicológicas, controle e ciúme excessivo.
Para denunciá-lo, o órgão considerou o histórico de violência doméstica, os relatos de testemunhas, as contradições apresentadas pelo próprio acusado e uma suposta tentativa de usar o celular da vítima - enquanto ela seguia internada - para interferir na apuração dos fatos.
No dia do crime, uma testemunha relatou ter ouvido pedidos de socorro e sons de agressões antes de Carlos deixar a residência afirmando que a companheira estava "pegando fogo". Segundo o MPRJ, a investigação afastou a hipótese inicial de suicídio.
Com base nesse conjunto de provas, a Promotoria denunciou o homem pelo crime de feminicídio qualificado por motivo fútil e pelo emprego de fogo. O órgão também pediu a prisão preventiva do acusado.
Ameaça à sogra
Carlos foi preso, em setembro do ano passado, em Inhaúma, na Zona Norte, por ameaçar a sogra, que era testemunha do crime contra Daiana.
Investigações realizadas pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) apontaram que o casal discutiu em uma residência e o homem ateou fogo na mulher, deixando o local sem prestar socorro. Uma vizinha ligou para a mãe de Daiana, que encontrou a filha ferida, a socorreu e a encaminhou para o Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste. Ela morreu depois de sete dias internada.
Após a companheira morrer, Carlos passou a fazer graves ameaças contra a mãe dela através de mensagens de WhatsApp, para que ela não o denunciasse. Isso levou ele a ser preso por coação no curso do processo.
O homem já tinha passagem pela polícia por uma tentativa de homicídio, que ocorreu em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, em 2002.
Questionado sobre a denúncia, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio (TJRJ) informou que processos de feminicídio tramitam em sigilo.
A reportagem não localizou a defesa do acusado. O espaço está aberto para manifestação.



Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.