Igreja de São Francisco de Paula recebe de volta a imagem de seu padroeiroReprodução / Google Maps
A antiguidade da escultura também chama a atenção para sua relação com a própria história da Igreja de São Francisco de Paula. "Embora não haja, até o momento, confirmação documental apresentada que permita afirmar categoricamente que se trata da primeira imagem do padroeiro utilizada no templo, sua datação aponta para a possibilidade de estar vinculada aos primeiros tempos da igreja. A pedra fundamental do templo foi lançada em 1759, e sua construção atravessou a segunda metade do século XVIII e início do século XIX", diz Daisy.
"A imagem é do século XVIII e estava toda coberta por uma pintura. Aparecia apenas o medalhão no peito, que tinha o douramento e a inscrição 'Charitas'. Ela também tinha uma rachadura em um dos braços", explica Cláudia.
Durante a restauração, foram identificados o que havia sob a camada de tinta. A descoberta revelou uma ornamentação muito mais rica do que aquela conhecida pelo público. "Os restauradores fizeram prospecções e descobriram que, embaixo dessa pintura preta que cobria a indumentária, havia todo um trabalho de policromia e douramento. Então, ela foi decapada e agora a gente a vê em todo o seu esplendor do século XVIII", destaca.
Os restaurantes realizaram o trabalho dentro da própria Igreja de São Francisco de Paula, onde instalaram um ateliê especialmente para a intervenção. Ao longo de aproximadamente um ano, os profissionais removeram a repintura, além de recuperarem as áreas de perda e tratarem os danos encontrados na escultura.
De acordo com Cláudia, retirar a camada acrescentada posteriormente sem atingir a pintura histórica exigiu especial cuidado. "Para remover toda essa repintura que havia por cima sem danificar a pintura original, é um trabalho muito delicado. Depois, é preciso integrar e fazer o douramento onde havia áreas de perda. O trabalho bem-feito é meticuloso e demorado", ressalta.
A pintura preta que recobria a imagem estava relacionada a uma intervenção realizada no início do século passado, quando se difundiu uma concepção estética segundo a qual o hábito do santo devia ser inteiramente escuro. Intervenções semelhantes foram realizadas em outras imagens religiosas.
"Era uma concepção da época, como se o hábito dele fosse preto. Só aquele medalhão no peito aparecia com o douramento. É muito comum a gente encontrar ainda hoje várias imagens assim. Foi uma moda", pontua Cláudia. Com a restauração, os desenhos e elementos dourados da vestimenta voltaram a ser percebidos, recuperando aspectos da riqueza artística da escultura setecentista.

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