Rio - Campeões de edições anteriores da tradicional Corrida de Garçons em Copacabana, na Zona Sul, dão dicas para a 21ª edição do evento, que acontece na manhã desse domingo (16). Entre equilíbrio, concentração e técnica, profissionais revelam ao O DIA alguns dos segredos para se destacar na disputa.
Ganhador por três vezes consecutivas, Giuliano de Alcântara, de 42 anos, que trabalha há nove anos no Clarice Restaurant, no Hotel Hilton, deixa três sugestões para os competidores, mas já adianta que está de olho em mais um título.
"Primeiro, centralizar a garrafa de água do centro da bandeja; segundo, tente se concentrar ao máximo; terceiro, o mais difícil é o primeiro passo, pois se o primeiro passo não for bem dado, vai ser difícil ter sucesso na corrida", diz.
O garçon reforça que o importante também é se divertir. "Eu adoro essa corrida. Além da questão da solidariedade, eu revejo os amigos e me divirto muito. Tenho muito orgulho da minha profissão e espero ser campeão este ano", acrescenta.
A garçonete Thayná Alves, 29 anos, participou do evento pela primeira vez no ano passado e ganhou o primeiro lugar na bateria feminina. A profissional atua há sete anos no mesmo hotel e pretende repetir a colocação nesta corrida.
"Foi uma experiência muito especial e inesperada. Como era a minha primeira participação, eu entrei com vontade de fazer o meu melhor, mas sem imaginar que conquistaria o primeiro lugar. Além da competição em si, foi um reconhecimento do nosso trabalho, da dedicação e da agilidade que a profissão exige diariamente", relata.
Mesmo em meio a competição, Thayna destaca que acima de tudo pretende aproveitar a experiência que o evento proporciona.
"Claro que a expectativa para este ano existe, e eu vou entrar novamente para dar o meu melhor. Mas, acima de tudo, quero aproveitar a experiência, representar bem a categoria e curtir a competição. Se vier mais uma vitória, será maravilhoso!", acrescenta.
Para ela, ser garçonete representa muito mais do que servir uma mesa: "Para mim, é o ato de acolher, cuidar e contribuir para que cada pessoa tenha uma experiência especial. Servir é uma arte, porque envolve atenção, sensibilidade e dedicação, e tenho muito orgulho de exercer essa profissão", diz.
A campeã também deixa um conselho para quem vai disputar a prova pela primeira vez: controlar a ansiedade e acreditar em si mesmo.
"Minha dica é: confie em você e aproveite a experiência. Mantenha a calma, o foco e o equilíbrio, porque a ansiedade pode atrapalhar mais do que a dificuldade da prova. E, acima de tudo, participe com alegria. Foi assim que entrei na competição pela primeira vez e acabei me surpreendendo com o resultado", destaca.
Entre os participantes deste ano está Josué Silva, de 28 anos, que trabalha no Terra Brasilis, na Urca, Zona Sul. Depois de disputar a corrida no ano passado, ele decidiu reforçar os treinos e aposta em uma preparação diferente para tentar chegar ao pódio.
"Eu estou treinando! A parte de equilibrar a bandeja eu já sei porque eu já trabalho na área há muito tempo, mas estou treinando mais a parte da corrida, que eu acho que é o que me prejudicou no ano passado. Eu achei que era só habilidade com a bandeja, mas não, tem a técnica da passada. Eu seria o primeiro garçom ano passado e ia para a semifinal, só que eu dei uma passada tão rápida, que acabei, no finalzinho, deixando o produto cair. Aí quem vinha na sequência acabou me passando", recorda.
Apesar do foco na competição, Josué faz questão de destacar o orgulho que sente pela profissão e pelo contato diário com o público.
"Tem muitas pessoas, muitos amigos da área que até me perguntam: 'Ah, você não tem vergonha de servir?'. Para mim servir é um privilégio. Eu amo trabalhar com o público, amo servir (...) O atendimento ao público para mim é uma coisa primordial. Eu gosto de fazer, gosto de tratar as pessoas bem da forma como eu gostaria de ser tratado", afirma.
Ao falar sobre a importância do garçom dentro de um restaurante, Josué compara a função à de quem coordena o funcionamento de toda a operação.
"Tem um ditado que fala que a cozinha é o coração do restaurante, e eu acredito nisso, mas o garçom é o cérebro do restaurante. Porque, para a operação funcionar, depende muito do garçom lançar um pedido com agilidade, corretamente, está atento na praça, à demanda do cliente que está entrando, ao tempo que o cliente fica na mesa. Então, eu acho que essa profissão é primordial", relata.
Josué já trabalha há 10 anos na profissão e defende que o trabalho seja valorizado.
"A profissão de garçom é muito boa porque tem aquele contato, tem aquele calor humano, tem uma pessoa que vai estar ali te ouvindo prontamente para tirar suas dúvidas a respeito do cardápio, a respeito do funcionamento do restaurante. Eu amo a minha profissão e acho que nunca deve acabar, porque é uma profissão primordial no Brasil e em outros países", frisa.
A corrida é organizada pelo Sindicato dos Garçons e Trabalhadores em Bares e Restaurantes do município do Rio de Janeiro (Sigaban) e conta com apoio dos HotéisRio. Ao todo, 150 profissionais já estão inscritos, entre garçons, garçonetes, bartenders e trabalhadores de bares e restaurantes no geral.
Na prova, os corredores percorrem 150 metros com a bandeja cheia de materiais, como latas, garrafas e descartáveis, e não podem derrubá-los. A competição é dividida em baterias femininas e masculinas. O vencedor de cada uma ganha um prêmio de R$ 200. Já o primeiro lugar da grande final leva R$ 2 mil, enquanto o segundo colocado fica com 1,5 mil e o terceiro com R$ 1 mil.
O evento será realizado na Avenida Atlântica entre as ruas Almirante Gonçalves e Djalma Ulrich, no domingo (16).
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.