Rio - Conhecidos pela simpatia no atendimento e apelidados por clientes como "amigo", "guerreiro", "chefe" e "patrão", garçons do Rio destacam ao DIA o orgulho pela profissão em meio à rotina, que envolve muito mais do que servir mesas e carregar bandejas. A categoria vai se reunir na 21ª edição da Corrida dos Garçons em Copacabana, na Zona Sul, neste domingo (16).
A garçonete Débora Costa dos Santos, 33 anos, que trabalha há seis anos na Confeitaria Colombo do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) no Centro do Rio, ressalta que está sempre sorrindo ao lidar com o público.
"Essa profissão me representa em muita coisa. Tem muita gente que ainda tem preconceito, mas acho que ela é supervaliosa para todo mundo. Eu gosto de atender as pessoas sempre sorrindo. É uma área muito gostosa de trabalhar — ainda mais pra mim, porque eu gosto de conversar e brincar", diz.
Débora é garçonete há seis anos na Confeitaria ColomboReginaldo Pimenta/Agência O DIA
Débora vai participar pela terceira vez do evento. No ano passado, ela alcançou o 3º lugar.
"Estou um pouco nervosa, porque ano passado fiquei em terceiro e este ano quero ficar pelo menos em segundo.Estou levando mais pessoas comigo, falo para mais pessoas sobre o evento. Não acho que seja difícil. Fico mais nervosa pela galera gritando, vibrando, mas para equilibrar não acho difícil. Estou até treinando. Também acho muito divertido, fica todo mundo curtindo. Não é nem tanto pelo dinheiro, mas para participar da brincadeira, de ver a galera se divertindo", conta.
Outro participante, Edgar Olimpo, 24 anos, funcionário do restaurante Barra Grill, na Zona Sudoeste, revela a expectativa de superar a posição do ano passado.
O Garçom do Barra Grill, Edgar, vai participar da Corrida dos Garçons Carlos Elias Junior/ Agência O Dia
"Já participei antes, em 2024 e 2025. Em 2024 fiquei em 3º lugar, o que me faz querer ir é à premiação. Há a amizade que a gente cria no evento e o carinho da população. Trabalho como garçom desde 2019 e acho que, para isso, tem que gostar do que faz, gostar de interagir e trabalhar com o público", frisa.
O profissional também descarta dificuldade ao realizar a prova. "Eu não acho difícil. Devido a anos de profissão, a gente consegue ter a ‘manha’ da bandeja, a expectativa agora é chegar pelo menos em segundo lugar", acrescentou.
Na prova, os corredores percorrem 150 metros com a bandeja cheia de materiais, como latas, garrafas e descartáveis, e não podem derrubá-los. A competição é dividida em baterias femininas e masculinas. O vencedor de cada uma ganha um prêmio de R$ 200. Já o primeiro lugar da grande final leva R$ 2 mil, enquanto o segundo colocado fica com 1,5 mil e o terceiro com R$ 1 mil.
O evento é organizado pelo Sindicato dos Garçons e Trabalhadores em Bares e Restaurantes do município do Rio de Janeiro (Sigaban) e conta com apoio dos HotéisRio. Ao todo, 150 profissionais já estão inscritos, entre garçons, garçonetes, bartenders e trabalhadores de bares e restaurantes no geral.
Um dos representantes da organização, Antônio dos Anjos, 60 anos, que acompanha todas as edições, conta que o objetivo não é quem chega mais rápido, mas aquele que chegar primeiro sem derrubar nada da bandeja. Segundo ele, a intenção também é mostrar para as pessoas a importância da profissão.
"O garçom é o profissional da alegria. Ele faz parte da felicidade na vida de todos. Nós temos garçom no batizado, nos casamentos, nos aniversários, nas festas. Então o garçom é aquele companheiro das horas e momentos mais felizes da nossa vida. O nosso filho nasce, nós vamos batizar, tem um garçom lá servindo. Nós vamos casar, sempre tem garçom. Dia das Mães, Dia dos Pais, nós vamos num restaurante. É o profissional cuja função é servir, é estar presente naqueles momentos mais felizes de todas as pessoas", relata.
A corrida também tem como foco a solidariedade, já que para as inscrições são necessários apenas uma lata de leite ou fralda geriátrica. "Nós sempre vinculamos essa atividade a uma doação. A taxa de inscrição é simbólica, é um ato de doar. Os garçons que vão participar vão doar leite em pó ou pacotes de fraldas descartáveis. A gente repassa isso para o Inca [Instituto Nacional de Câncer]. Desde a primeira corrida, a gente colocou esse cunho social e a serviço da solidariedade", reforça.
O evento será realizado na Avenida Atlântica entre as ruas Almirante Gonçalves e Djalma Ulrich.
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