Prefeito Eduardo Cavaliere anunciou a parceria no Terminal Gentilezafotos de Reginaldo Pimenta

Rio - A cidade do Rio deverá começar a receber a primeira frota de ônibus 100% elétricos a partir de outubro de 2027. A Prefeitura e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciaram, nesta sexta-feira (25), uma parceria para viabilizar a aquisição inicial de 175 veículos e a construção de uma garagem pública na Maré, na Zona Norte. O investimento total previsto é de R$ 509 milhões.
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Do valor, R$ 329 milhões serão financiados pelo BNDES por meio do Fundo Clima. Outros R$ 141,2 milhões serão aplicados pela empresa que vencer a licitação para operar o serviço, enquanto o município deverá desembolsar R$ 38,8 milhões. O projeto será desenvolvido por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP).


A previsão é que os 175 ônibus sejam distribuídos por 10 linhas que atendem aproximadamente 30 bairros e fazem ligação com o Terminal Gentileza. Os veículos deverão contar com ar-condicionado, piso baixo para facilitar o acesso de passageiros com mobilidade reduzida e entradas USB para carregamento de aparelhos eletrônicos.

A operação também deverá reduzir o nível de ruído provocado pelos veículos em circulação. Como não utilizam motores movidos a combustíveis fósseis, os ônibus elétricos não terão emissão de gases pelo escapamento.

O cronograma apresentado pela Prefeitura prevê que o aviso de consulta pública da PPP seja publicado no Diário Oficial na próxima segunda-feira (28). Depois dessa etapa, a expectativa do município é realizar a licitação em dezembro deste ano e assinar o contrato com a empresa vencedora em janeiro de 2027.

A partir da assinatura, a concessionária poderá iniciar a aquisição dos veículos e a implantação da estrutura necessária para a operação. O contrato terá duração de 16 anos, sendo o primeiro destinado à implantação do projeto e os 15 seguintes à prestação do serviço.

A nova garagem será construída em um terreno localizado em frente à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), na Avenida Brasil, na Maré. A área possui aproximadamente 41 mil metros quadrados. Desse total, cerca de 23 mil metros quadrados serão destinados diretamente à operação dos ônibus elétricos.

O espaço terá áreas para estacionamento, manutenção dos veículos, administração, almoxarifado e carregamento das baterias. A previsão é que os ônibus tenham autonomia suficiente para cumprir os trajetos durante o dia e retornem à garagem à noite para recarga.

O abastecimento será feito a partir da subestação da Light localizada em Triagem, na Zona Norte. A estrutura permitirá que os veículos sejam carregados durante o período noturno, quando estarão fora de operação.

Na fase de funcionamento, a garagem deverá contar com cerca de 490 motoristas, além de 35 fiscais e 10 despachantes. Também estão previstas equipes responsáveis pela manutenção dos veículos e pela administração da unidade.

Segundo o BNDES, os ônibus financiados pelo banco serão produzidos no Brasil. Os veículos destinados ao projeto do Rio deverão ser fabricados em Campinas, no interior de São Paulo. A exigência de produção nacional está relacionada à política de incentivo à indústria e à geração de empregos.

A implantação dos 175 ônibus representa a primeira etapa de um plano mais amplo de eletrificação do transporte coletivo municipal. A meta apresentada pela Prefeitura é chegar a 1 mil ônibus elétricos até 2030. Se alcançado, o número representará cerca de 20% da frota municipal.

A expansão poderá ocorrer antes do prazo previsto, dependendo da evolução dos preços dos veículos e dos valores das futuras encomendas. O BNDES informou que pretende continuar participando do processo de transição energética do transporte público carioca por meio de recursos do Fundo Clima.

A iniciativa também marca a primeira PPP voltada à operação de ônibus elétricos no país, segundo as informações apresentadas durante o anúncio. A expectativa do município é ampliar gradualmente a participação dos veículos sem emissão de poluentes na frota que circula pela cidade.