Ato pró-Lula no Largo da Carioca, no Centro do Rio, termina com feridos Divulgação

Pelo menos dez pessoas, entre elas uma criança, ficaram feridas após serem atingidas por pedras e garrafas PET com água arremessadas contra participantes de um ato no Largo da Carioca, no Centro do Rio, na noite desta sexta-feira (9). Movimentos sociais e parlamentares estavam reunidos em frente ao Edifício Avenida Central para realizar uma mobilização em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição no segundo turno das eleições de 2026. A Polícia Militar foi acionada.
O grupo chegou ao local por volta das 17h e deu início à manifestação. Cerca de duas horas depois, pessoas que estavam em um prédio próximo começaram a jogar balões com água do alto do edifício. Em seguida, despejaram baldes com água e garrafas sobre os manifestantes. Pedras e outros objetos também foram arremessados. Com o impacto, algumas pessoas sofreram ferimentos leves.
Segundo relatos da organização do ato, entre os feridos estão duas integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto do Rio de Janeiro (MTST). Ambas foram até a 5ª DP (Mem de Sá) para registrar a ocorrência e solicitar a investigação dos fatos.

A Polícia Militar foi acionada e agentes realizaram a identificação do local de onde teriam partido os objetos. Também foram solicitadas imagens das câmeras de segurança do edifício para auxiliar na identificação dos responsáveis.
A ex-governadora do Rio e ex-deputada federal Benedita da Silva (PT), que disputou uma vaga no Senado nas eleições de 2026, mas não foi eleita, também participava do ato. Enquanto discursava, os autores do ataque continuaram lançando água do alto do prédio.

"É assim que eles querem governar o Estado, sem nenhuma democracia, mas eles vão ter que me aturar. Podem nos ameaçar, porque nós não temos medo da luta. Eles não terão sossego, porque estão provocando conflito. Nós somos votos democráticos, temos base popular e, por isso, eles estão morrendo de medo da gente", afirmou.

Em nota, a assessoria de Renata Souza condenou o episódio e pediu a apuração dos fatos. "Benedita da Silva e Renata Souza foram alvo de um ataque com bolas cheias de água lançadas de prédios no Centro da cidade enquanto participavam de uma plenária em apoio ao presidente Lula. A agressão contra duas mulheres negras com trajetórias de luta pela democracia expressa a violência e a intolerância fascistas que tentam intimidar a participação política. O episódio merece repúdio e apuração: nenhuma divergência política justifica ataques ou ameaças", declarou a assessoria.
"O Comitê dos Comitês e o MTST estão tomando todas as medidas jurídicas cabíveis e cobrando das autoridades a apuração rigorosa do ataque, a identificação dos responsáveis e sua responsabilização", disse o movimento por meio de nota.

Para Gabriel Siqueira, coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, o episódio representa um grave alerta sobre os riscos à democracia brasileira. "Para nós, esse ataque é apenas uma amostra do que pode representar um eventual governo de Flávio Bolsonaro. Nesta semana, ele falou em fechar instituições e mudar a Constituição. Estamos diante do risco de um aprofundamento do autoritarismo, que pode colocar o Brasil à beira de uma ditadura. Não podemos naturalizar a violência política nem permitir que o medo impeça o povo de exercer seu direito de manifestação", afirmou Gabriel.

O MTST e o Comitê dos Comitês repudiam qualquer forma de violência contra manifestações políticas pacíficas e reafirmam a importância de garantir a segurança dos participantes, o livre exercício do direito de manifestação e a defesa das instituições democráticas.

Ameaça à UFF

A Universidade Federal Fluminense (UFF) reforçou os protocolos de segurança e acionou a Polícia Federal após tomar conhecimento de mensagens que circulam em redes sociais e aplicativos de mensagens contendo ameaças contra a instituição e integrantes da comunidade acadêmica. As ameaças começaram após estudantes organizarem manifestações a favor da manutenção da democracia no país, segundo eles ameaçada pelo segundo turno das eleições para Presidente da República.
Segundo a universidade, o conteúdo menciona a possibilidade de ataques ao patrimônio da instituição, incluindo referências a um suposto incêndio em instalações da UFF. As mensagens também citariam a Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF). Todo o material foi encaminhado às autoridades para investigação.

Em nota, a reitoria informou que recebeu as denúncias por meio de canais institucionais e que solicitou reforço na segurança dos campi, além de manter contato com órgãos de segurança pública para acompanhar o caso. Até o momento, não há registro oficial de invasões ou tentativas de incêndio nas unidades da universidade.

Incêndio na UFPE aumenta alerta

O aumento da preocupação ocorre após um incêndio de grandes proporções atingir, na noite de quarta-feira (7), um prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife. As chamas destruíram laboratórios dedicados a pesquisas nas áreas de genética, informática e desenvolvimento de fármacos.

De acordo com a reitoria da UFPE, os prejuízos podem ultrapassar R$ 100 milhões, incluindo equipamentos científicos e décadas de pesquisas acadêmicas. Não houve feridos. A Polícia Federal instaurou inquérito para apurar as circunstâncias do incêndio. Embora relatos sobre ameaças atribuídas a grupos extremistas tenham circulado nas redes sociais, as autoridades destacam que ainda não existem evidências conclusivas que permitam relacionar essas mensagens ao incêndio ocorrido no campus.