Testemunhas afirmam que o jovem recebeu choques elétricos, foi chutado e imobilizado com violênciaReprodução/Redes sociais
Uma das testemunhas que passava pelo local, Alícia Arantes, contou que começou a prestar atenção à situação depois de ouvir gritos. Segundo ela, o rapaz estava com a bicicleta e a bolsa de entregas quando a confusão começou.
“Quando a gente olhou, já estava ouvindo uma gritaria. A gente viu um menino com a bolsa do iFood, com a bicicleta dele, tentando sair da rua. Pelo que começaram a falar, ele estava simplesmente tentando atravessar”, relatou.
De acordo com Alícia, a situação evoluiu para uma discussão e, em seguida, para agressões. Ela afirmou ter visto o entregador receber choques elétricos. No depoimento prestado à polícia, ela afirmou que viu um dos guardas atingir o celular do entregador, que caiu no chão.
“Começaram a agredir e deram um choque na barriga dele, caiu no chão e começou a ter uma convulsão, sendo possível ver movimentos involuntários nas pernas e em pouco tempo começou a espumar pela boca. choque. Quando ele ainda estava no chão, vimos movimentos de chutes em suas costas. Quando ele melhorou um pouco, tentaram algema-lo, chegando a quase quebrar o braço dele e em certo momento quase estrangulando o rapaz”, disse Alícia.
A testemunha declarou que uma mulher que se identificou como enfermeira teria dito que o rapaz estava tendo uma convulsão e prestado assistência a ele. Ainda conforme o depoimento, um terceiro guarda, que vestia camiseta branca, teria chutado as costelas do jovem enquanto ele permanecia caído.
Alícia também relatou que, depois de recobrar a consciência, o entregador chorava e aparentava dificuldade para respirar. Ela afirmou que os agentes tentaram algemá-lo com força e que o jovem resistiu por medo, mas não teria agredido os guardas.
Ela também questionou o tratamento dado ao jovem. Segundo a testemunha, apesar das agressões que afirma ter presenciado, ele era tratado como responsável pela ocorrência, enquanto os agentes apontavam suspeita de desacato à autoridade.
A versão do entregador, é que ele estava de bicicleta e não conseguiu parar a tempo quando um guarda levantou uma placa de sinalização. Ele afirma que a placa atingiu seu rosto e que, depois de parar, começou a filmar o agente. A partir daí, segundo essa versão, os guardas teriam usado dispositivos de choque e derrubado seu celular.
Guarda Municipal diz que houve desobediência e resistência
Em nota, a Guarda Municipal do Rio (GM-Rio) informou que a ocorrência foi registrada na 13ª DP, em Copacabana. Segundo a corporação, o entregador conduzia uma bicicleta pela ciclofaixa e desobedeceu a uma ordem de parada nas proximidades de uma travessia de pedestres. A GM-Rio afirma que a situação quase provocou o atropelamento de uma mulher que atravessava na faixa.
Ainda de acordo com a versão oficial, o entregador colidiu com a placa de trânsito utilizada pelos agentes e desacatou os guardas. A corporação informou que foi dada voz de prisão ao jovem, que teria resistido à abordagem. Durante a ação, os agentes utilizaram uma pistola de eletrochoque.
A Guarda Municipal acrescentou que o entregador recusou atendimento médico. A ocorrência foi registrada pelos crimes de desacato, desobediência, resistência e lesão corporal.
Ao final da nota, a GM-Rio informou que vai instaurar uma apuração para investigar as circunstâncias da abordagem.



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