Testemunhas afirmam que o jovem recebeu choques elétricos, foi chutado e imobilizado com violênciaReprodução/Redes sociais

Um entregador por aplicativo denunciou ter sido agredido por agentes da Guarda Municipal durante uma abordagem na rua Francisco Otaviano, entre Copacabana e Ipanema, Zona Sul, neste domingo (11). Já o órgão acusou o rapaz de desacato. 
Testemunhas afirmam que o jovem, identificado como Luccas Coelho, recebeu choques elétricos, foi chutado e imobilizado com violência. A ocorrência foi registrada na 13ª DP, em Ipanema. O episódio foi registrado em vídeos feitos por moradores, que acompanharam a abordagem.

Uma das testemunhas que passava pelo local, Alícia Arantes, contou que começou a prestar atenção à situação depois de ouvir gritos. Segundo ela, o rapaz estava com a bicicleta e a bolsa de entregas quando a confusão começou.

“Quando a gente olhou, já estava ouvindo uma gritaria. A gente viu um menino com a bolsa do iFood, com a bicicleta dele, tentando sair da rua. Pelo que começaram a falar, ele estava simplesmente tentando atravessar”, relatou.

De acordo com Alícia, a situação evoluiu para uma discussão e, em seguida, para agressões. Ela afirmou ter visto o entregador receber choques elétricos. No depoimento prestado à polícia, ela afirmou que viu um dos guardas atingir o celular do entregador, que caiu no chão. 

“Começaram a agredir e deram um choque na barriga dele, caiu no chão e começou a ter uma convulsão, sendo possível ver movimentos involuntários nas pernas e em pouco tempo começou a espumar pela boca. choque. Quando ele ainda estava no chão, vimos movimentos de chutes em suas costas. Quando ele melhorou um pouco, tentaram algema-lo, chegando a quase quebrar o braço dele e em certo momento quase estrangulando o rapaz”, disse Alícia.


A testemunha declarou que uma mulher que se identificou como enfermeira teria dito que o rapaz estava tendo uma convulsão e prestado assistência a ele. Ainda conforme o depoimento, um terceiro guarda, que vestia camiseta branca, teria chutado as costelas do jovem enquanto ele permanecia caído.

Alícia também relatou que, depois de recobrar a consciência, o entregador chorava e aparentava dificuldade para respirar. Ela afirmou que os agentes tentaram algemá-lo com força e que o jovem resistiu por medo, mas não teria agredido os guardas.
Luccas foi levado à delegacia, onde o caso foi registrado. Alícia afirmou que passou a tarde na unidade policial, acompanhada do namorado, para prestar depoimento.

Ela também questionou o tratamento dado ao jovem. Segundo a testemunha, apesar das agressões que afirma ter presenciado, ele era tratado como responsável pela ocorrência, enquanto os agentes apontavam suspeita de desacato à autoridade.

A versão do entregador, é que ele estava de bicicleta e não conseguiu parar a tempo quando um guarda levantou uma placa de sinalização. Ele afirma que a placa atingiu seu rosto e que, depois de parar, começou a filmar o agente. A partir daí, segundo essa versão, os guardas teriam usado dispositivos de choque e derrubado seu celular.

Guarda Municipal diz que houve desobediência e resistência



Em nota, a Guarda Municipal do Rio (GM-Rio) informou que a ocorrência foi registrada na 13ª DP, em Copacabana. Segundo a corporação, o entregador conduzia uma bicicleta pela ciclofaixa e desobedeceu a uma ordem de parada nas proximidades de uma travessia de pedestres. A GM-Rio afirma que a situação quase provocou o atropelamento de uma mulher que atravessava na faixa.

Ainda de acordo com a versão oficial, o entregador colidiu com a placa de trânsito utilizada pelos agentes e desacatou os guardas. A corporação informou que foi dada voz de prisão ao jovem, que teria resistido à abordagem. Durante a ação, os agentes utilizaram uma pistola de eletrochoque.

A Guarda Municipal acrescentou que o entregador recusou atendimento médico. A ocorrência foi registrada pelos crimes de desacato, desobediência, resistência e lesão corporal.

Ao final da nota, a GM-Rio informou que vai instaurar uma apuração para investigar as circunstâncias da abordagem.