Santiago Yus - Diretor-Presidente da Aena BrasilDivulgação/Aena Brasil

A nova concessionária do Aeroporto Internacional do Galeão, a Aena, prevê cerca de R$ 1 bilhão em investimentos privados e a geração de 3.860 empregos nos próximos três anos. A empresa espanhola assumiu a administração do terminal em 6 de outubro e apresentou, nesta terça-feira (13), os planos para ampliar a conectividade aérea, desenvolver novos negócios e fortalecer a operação do aeroporto, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio.

Entre os projetos previstos estão a construção de um hotel internacional, um centro de testes da BYD, novos galpões logísticos e um hangar de manutenção de aeronaves da GOL. A concessionária também pretende ampliar a oferta de voos nacionais e internacionais, melhorar a eficiência operacional e aprimorar a experiência dos passageiros.

“O Galeão é um aeroporto estratégico para o Rio de Janeiro e para o Brasil, com grande capacidade de expandir a conectividade doméstica e internacional do estado e do país”, afirmou Santiago Yus, diretor-presidente da Aena Brasil. Segundo ele, a empresa pretende trabalhar em parceria com os setores público e privado para ampliar a presença do terminal no cenário nacional e internacional.

Nova gestão prevê aumento no número de passageiros

O Galeão movimentou 17,5 milhões de passageiros em 2025. Para 2026, a previsão da concessionária é encerrar o ano com 19,4 milhões, enquanto a infraestrutura atual tem capacidade para receber até 37 milhões de pessoas anualmente.

Uma das prioridades da Aena é ampliar a malha aérea. Para a próxima temporada de verão, estão previstos aumentos de frequência em 30 destinos, sendo 18 nacionais e 12 internacionais, além de novas rotas e retomadas de operações sazonais.

Entre os destinos internacionais contemplados estão Nova York, Toronto, Montreal e Dallas, além do reforço de voos para Paris, Miami, Frankfurt, Lisboa e Santiago. No mercado doméstico, a oferta deverá crescer em cidades como João Pessoa, Manaus, São Luís, Porto Alegre, Fortaleza e Recife.

Com a incorporação do Galeão, a Aena passou a administrar 18 aeroportos em dez estados brasileiros, com movimentação superior a 63 milhões de passageiros por ano. A rede global da companhia reúne 81 aeroportos em cinco países.

Projetos incluem hotel e centro de testes

Os empreendimentos privados previstos para o complexo aeroportuário somam aproximadamente R$ 1 bilhão e têm potencial para criar 3.860 postos de trabalho nos próximos três anos.

Na área de hotelaria, a bUP prevê construir um hotel de bandeira internacional com 232 quartos na primeira fase e possibilidade de expansão para 426 unidades. O investimento estimado é de R$ 90 milhões, com previsão de 460 empregos, sendo 300 durante as obras e 160 na operação.

A BYD instalará um Centro de Testes em uma área de 184 mil metros quadrados. O projeto prevê R$ 300 milhões em investimentos e a criação de 1.200 empregos, ampliando as atividades ligadas à tecnologia, pesquisa e desenvolvimento no complexo.

Na área logística, a Hire Capital desenvolverá um galpão de 120 mil metros quadrados para atender aos mercados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. O empreendimento receberá R$ 430 milhões e deverá gerar 1.200 vagas.

A empresa também planeja ampliar o galpão HLOG2, cuja área passará de 22 mil para 40 mil metros quadrados. A expansão prevê investimento de R$ 54 milhões e a criação de 200 empregos.

Já a GOL construirá um hangar de manutenção de aeronaves em uma área de 56 mil metros quadrados. O projeto prevê mais de R$ 100 milhões em investimentos e 800 postos de trabalho.

Galeão também terá foco no transporte de cargas

A nova gestão pretende fortalecer a atividade logística do aeroporto. Em 2025, o Galeão movimentou 66 mil toneladas de cargas internacionais e 28 mil toneladas de cargas domésticas, segundo os dados apresentados pela concessionária.

A estratégia inclui ampliar o relacionamento com operadores logísticos, empresas e parceiros comerciais, além de aproveitar oportunidades relacionadas ao crescimento do comércio eletrônico.

A Aena também fará uma avaliação das operações para identificar melhorias na eficiência e no atendimento aos passageiros. Um plano de ação com medidas específicas deverá ser anunciado nos próximos meses.

A empresa afirma que pretende combinar sua experiência internacional com a atuação no mercado brasileiro para ampliar os negócios associados ao Galeão, estimular o turismo e contribuir para o desenvolvimento econômico do Rio de Janeiro.
*Reportagem da estagiária Aretha Dossares, sob supervisão de Marlucio Luna