São Gonçalo: exposição Outras Morfologias entra em cartaz no SescLuís Guedes

São Gonçalo - O Sesc São Gonçalo apresenta, a partir de 8 de julho, a exposição “Outras Morfologias”, que promove o encontro inédito entre as artistas Clara Machado, Mariana Paraizo, Mery Horta e Mônica Coster. Contemplado pelo edital Sesc Pulsar e com curadoria de Rayssa Veríssimo, a programação exibe formas híbridas que deslocam o ser humano do centro do mundo. A partir de formas e materiais múltiplos, o projeto nos lembra que somos parte de uma natureza, ao mesmo tempo orgânica e artificial. A visitação é totalmente gratuita e segue aberta até o dia 4 de outubro. A exposição foi selecionada pelo Edital de Cultura Sesc RJ Pulsar.

A mostra apresenta múltiplas linguagens — como escultura, desenho, bordado e instalação — explorando materiais que evocam o humano por meio dos seus vestígios e paradoxos. Na construção desse ecossistema espalhado pelo espaço, Clara Machado utiliza cerâmica, ferro e resina para criar estruturas que remetem a ossos, vísceras ou raízes. Mariana Paraizo trabalha com ovo e cimento, erguendo corpos que oscilam entre proteção e fragilidade, casca e abrigo. Já Mery Horta combina cabelo, madeira rejeitada, cabaça e sementes, dando vida a criaturas orgânicas, enquanto Mônica Coster usa cerâmica, cabelo e unha para conceber morfologias híbridas, onde humano e não-humano se misturam.

Para Clara Machado e Mariana Paraizo, a escolha de trabalhar com esse conceito revela uma conexão profunda entre os trabalhos do grupo. “A exposição nasceu do desejo de produzir um encontro entre as quatro artistas. No processo de elaboração do projeto curatorial, notamos a presença de um território comum que atravessava as poéticas de todas nós, e esse território é o corpo. No entanto, cada artista opera de modo próprio nesse território, produzindo relações que se desdobram em discussões sobre vida e morte, natureza e cultura, e apontam para diferentes formações corpóreas e matéricas. A ambiguidade da palavra ‘morfologia’, por se relacionar tanto ao estudo das formas em organismos, palavras, e de estruturas em geral, vem como um fio curatorial que amplia esse encontro e acentua o caráter aberto e processual da própria construção do corpo, sua labilidade”, explicam.

O percurso também propõe um mergulho sobre como a sociedade enxerga o planeta. Segundo a curadora Rayssa Veríssimo, a exposição é um convite para repensar conceitos históricos que nos afastam do meio ambiente. “Vivemos um momento em que se torna urgente repensar aquilo que nos foi dado como mundo. Historicamente, a tradição ocidental tomou o humano como forma e medida para separar cultura e natureza, legitimando nossas relações de dominação e exploração. No entanto, quando voltamos o olhar para outras formas de vida, percebemos que compartilhamos formas, matérias e até processos vitais, contrariando a pretensa superioridade humana. Nesse sentido, imaginar corpos que escapam à dicotomia entre cultura e natureza, embaralhando as fronteiras das formas, é também uma maneira de reimaginar o próprio mundo e as relações que o constituem”, destaca a curadora.

As obras funcionam, ainda, como um campo aberto para o público criar as suas próprias percepções. “As obras presentes na exposição operam, de modos singulares, uma espécie de desnaturalização acerca do que é um corpo, convidando o público a refletir sobre os limites dados como fixos entre natureza e cultura, humano e não humano. Por meio de formas orgânicas, que podem por vezes se assemelhar a elementos corpóreos reconhecíveis, as obras evocam algo simultaneamente familiar e estranho, despertando questões sobre nossa materialidade compartilhada com outras formas de vida. No entanto, essas reflexões não são apresentadas de maneira fechada ou definitiva. Cada trabalho oferece um campo aberto de associações, no qual os sentidos são construídos a partir do conjunto criado na exposição e do encontro entre o corpo da obra e o corpo do espectador. Para além da representação de corpos específicos, os trabalhos abrem espaço para imaginar outras maneiras de existir e de nos relacionarmos com o que nos cerca”, pontua Clara Machado.

Bate-papo e oficina de escultura gratuita
O evento de abertura da exposição acontece no dia 8 de julho, das 16h às 19h. Às 18h, será realizado um bate-papo aberto ao público com as artistas Clara Machado, Mariana Paraizo, Mery Horta e Mônica Coster e com a curadora Rayssa Veríssimo, em um encontro acessível e com classificação livre. A programação conta ainda com a oficina gratuita de escultura “Fabulações”, ministrada pela artista convidada Darks Miranda, que acontece no dia 9 de setembro, às 10h.

SERVIÇO

Exposição “Outras Morfologias”
Data: 8 de julho a 4 de outubro (Abertura dia 8 de julho, das 16h às 19h, com bate-papo às 18h)
Horário: terça a sexta, das 7h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 9h às 18h
Local: Sesc São Gonçalo
Endereço: Av. Pres. Kennedy, 755 - Estrela do Norte, São Gonçalo - RJ
Entrada: Gratuita
Classificação: Livre

Oficina de escultura “Fabulações” com Darks Miranda
Data: 9 de setembro
Horário: 10h
Local: Sesc São Gonçalo
Endereço: Av. Pres. Kennedy, 755 - Estrela do Norte - São Gonçalo - RJ
Entrada: Atividade gratuita