São Gonçalo: novo talento da música surge na cidadeReprodução/Internet
Coimbra viralizou nas redes sociais ao interpretar “I’ll Be There”, clássico do Jackson 5, em uma versão com batucada de pagode. A escolha da música não é por acaso. Coimbra cresceu ouvindo referências da música negra e encontrou no encontro entre soul, R&B e samba uma maneira de construir sua própria identidade artística.
A trajetória também passa por dois dos maiores nomes do pagode brasileiro: Thiaguinho e Péricles. Referências desde a infância, os artistas hoje fazem parte de momentos importantes da carreira de Coimbra, que já teve a oportunidade de cantar ao lado dos dois.
Para ele, a experiência tem um significado que vai além da música. Quando criança, Coimbra via Thiaguinho como uma inspiração e se reconhecia naquele artista negro que ocupava um espaço de destaque no cenário musical. Anos depois, estar próximo de nomes que ajudaram a formar sua identidade artística representa emoção e responsabilidade.
Do pagode escondido ao primeiro palco
A relação de Coimbra com a música começou ainda na infância. Criado em uma família religiosa, ele conta que descobriu o pagode por influência do pai, enquanto a mãe era evangélica. “Eu ouvia pagode escondido dentro do banheiro, porque durante muito tempo aquilo me foi apresentado como pecado”, conta.
Durante a pandemia, Coimbra cursava Enfermagem e chegou a fazer formação técnica na área. A música, porém, continuava presente. A mudança definitiva aconteceu após a morte de uma tia muito próxima. No último Natal que passaram juntos, ela disse ao sobrinho: “Filho, a sua voz vai ecoar pelos cantos da Terra”.
A frase se tornou um marco. Coimbra passou a estudar canto e instrumentos e decidiu transformar o sonho em profissão. O primeiro show veio pouco depois, a partir do convite de uma amiga para uma festa de arraiá. Em menos de quatro semanas, ele montou uma banda e subiu ao palco pela primeira vez. “Foi ali que eu entendi que era isso que eu queria. O palco era o lugar que me mantinha vivo”, lembra.
Coimbra surge como parte de uma geração que não precisa escolher entre o samba e outras vertentes da música negra. Para o cantor, essa mistura é justamente uma forma de manter o pagode vivo e conectado ao presente. Homem preto, gay, casado e macumbeiro, Coimbra também encontrou na música uma maneira de transformar sua própria vivência em representação. “Quando eu consegui me reconhecer, a barreira entre o artista e quem estava do outro lado caiu”, afirma.
Ainda no início da carreira, Coimbra sabe que o caminho está apenas começando. A intenção é conquistar espaço sem perder a essência. “Eu não quero apenas chegar. Quero construir. Quero olhar para trás e saber que cada passo foi dado com verdade, respeito e amor, sem esquecer de onde eu vim.”

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