Lula acredita que o Brasil possa vir a ser um país imbatível em exportação de energia limpa Foto Divulgação
Lula diz que pobre vai ter gás de graça, em inauguração de termelétrica
Presidente defendeu que o brasileiro tem que ter direito de usufruir de tudo que o Brasil possui
São João da Barra – “A inauguração de termelétrica como esta nos inspira a anunciar coisas boas”. Esta foi uma das colocações do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, nesta segunda-feira (28), durante a inauguração da Usina Termelétrica GNA II, no Porto do Açu, em São João da Barra (RJ). Em seguida, sem detalhar, prometeu que pobre vai parar de pagar pelo gás de cozinha.
Em discurso breve, o presidente não poupou a gestão antecessora (Jair Bolsonaro), resumindo que no período o Brasil perdeu credibilidade: “Estamos recuperando a credibilidade do país”, pontuou ressaltando que já esteve reunido com mais de 100 países.
Uma das bandeiras apontadas por Lula é que o brasileiro tem que ter direito de usufruir de tudo que o Brasil possui: “Estamos construindo parceria dentro do governo para fazer levantamento de toda riqueza do solo e subsolo brasileiros. Tenho uma filosofia de que muito dinheiro na mão de poucos significa pobreza e pouco dinheiro na mão de muitos significa riqueza”.
O presidente falou também sobre o desafio de reduzir a evasão escolar. Lembrou que nos primeiros dois mandatos (203/2011) construiu o maior número de faculdades e de institutos federais e lamentou que mais de 500 mil jovens no país tiveram sido obrigados a abandonar os estudos para ajudar no sustento familiar.
“Temos um projeto chamado ‘Pé de Meia’ para evitar que os jovens possam ajudar no sustento da família sem a necessidade de sair da escola”; para evitar evasão escolar”. Lula adiantou que são necessárias parcerias com prefeitos e governadores, enfatizando que com otimismo se consegue alcançar os objetivos. Citou como palavras-chaves “eu acredito, eu posso, eu vou fazer”.
Sobre a nova usina termelétrica, Lula destacou que reforça a possibilidade de o Brasil vir a ser um país imbatível em exportação de energia limpa. “Energia passa a ser o ouro do momento. Só se fala em coisas que o Brasil tem de sobra, a mais nova ‘minerais críticos’ (essenciais para setores como tecnologia, defesa e transição energética).
MAIOR EMPREGADOR - Além da primeira-dama Janja Lula da Silva, acompanhavam o presidente os ministros Alexandre Silveira (Minas e Energia), Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos), Renan Filho (Transportes), Márcia Lopes (Mulheres), e outras autoridades municipais, federais e estaduais. Todos foram recepcionados pela prefeita de São João da Barra, Carla Caputi.
Silvio Costa avaliou que a participação de Lula na inauguração reforça o compromisso do governo federal com a expansão da infraestrutura energética, o fortalecimento da indústria nacional e a geração de empregos qualificados. O ministro destacou a importância do Porto do Açu no cenário: “São mais de 40% da exportação de petróleo e o que mais emprega no país”, realçou.
Segundo Costa, serão priorizados mais investimentos no porto, através do PAC. Rogério Zampronha, diretor da Prumo Logistico (administradora do complexo portuário) avaliou o início da operação da nova termelétrica mais um grande empreendimento no porto. “O Porto do Açu tem 10 amos; é ainda uma criança, mas com a segunda maior movimentação de carga do país”.
Após a exibição de um vídeo sobre estrutura da GNA, o diretor executivo, Emanuel Delfosse, disse que a GNA II é um investimento de R$ 7 bilhões com 1,7 gigawatts (GW) de capacidade instalada, que integra o maior parque de geração a gás natural da América Latina e responde por cerca de 10% da geração a gás natural da matriz elétrica nacional.
ALTA EFICIÊNCIA - “Capaz de atender oito milhões de residências com energia segura e confiável, a usina foi selecionada como projeto estratégico do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal”. De acordo com Delfosse, durante a fase de construção da GNA II, foram gerados cerca de 10 mil empregos, com oferta de cursos de qualificação gratuitos.
A usina opera em ciclo combinado, com eficiência superior a 60% e possibilidade de uso de até 50% de hidrogênio em sua operação. São quatro turbinas geradoras, sendo três a gás e uma a vapor, e opera em ciclo combinado, o que garante alta eficiência e redução de emissões. A geração de cerca de 35% de sua capacidade instalada acontece sem consumo adicional de gás, em razão da eficiência superior a 60%.
Quanto à planta, foi projetada para operar com até 50% de hidrogênio em substituição ao gás natural, representando um passo importante rumo à transição energética. “As usinas GNA I e GNA II somam um investimento de R$ 12 bilhões e capacidade instalada de 3 GW, energia para atender cerca de 14 milhões de residências”, resumiu o diretor.
No entendimento da empresa, a inauguração da segunda GNA posiciona o Brasil como detentor do maior e mais moderno parque de geração a gás da América Latina, “reforçando o papel do gás natural como combustível fundamental para a transição energética, por sua confiabilidade e menor emissão de carbono”.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.