São João da Barra - Uma importante injeção econômica e um forte gerador de empregos para São João da Barra (SJB), no norte do estado do Rio de Janeiro, estão projetados, a partir de contrato inédito firmado entre a Petrobras e o Porto do Açu para o escoamento de coque de petróleo. A definição foi anunciada nesta sexta-feira (21).
A iniciativa consolida o município como um pilar logístico estratégico internacional, com os impactos socioeconômicos diretos e indiretos na região dividindo-se em várias frentes. Uma delas é geração de empregos, considerando-se que a operação anual será de até 600 mil toneladas exige uma cadeia robusta de força de trabalho.
Também estão previstas vagas diretas na operação portuária, com aumento imediato na contratação de trabalhadores para atuar no Terminal Multicargas (T-Mult), incluindo operadores de guindastes, empilhadeiras de grande porte, assistentes de pátio, conferentes de carga, vistoriadores e técnicos de segurança portuária.
Haverá ainda demandas para profissionais de logística e transporte; tendo em vista que o produto será destinado por quatro refinarias do Sudeste, abrindo vagas para motoristas de caminhão de carga pesada, despachantes aduaneiros, agentes de carga e analistas de planejamento logístico. Manutenção de serviços técnicos é outra vertente integrada aos pilares.
Estarão sendo gerados postos de trabalho para mecânicos industriais, eletricistas de alta tensão e equipes de manutenção preditiva para garantir que as esteiras e equipamentos de armazenamento operem sem interrupções. O coque é um material sólido, granulado que se origina a partir do craqueamento térmico de resíduos pesados obtidos durante o processo de refino do petróleo bruto.
Diferente da extração de petróleo bruto em alto-mar (que gera altos volumes de royalties e participações especiais), o coque é um subproduto do refino. Significa que o ganho de São João da Barra não virá do recebimento de novos royalties de extração.
PATAMAR - Nesse caso, o faturamento do município será do dinamismo da atividade industrial portuária, taxas alfandegárias de exportação e atração de novos fornecedores para a região, compensando a oscilação das receitas de royalties de petróleo, garantindo uma economia municipal mais estável e menos dependente apenas da produção dos poços.
Em uma avaliação mais didática, a centralização desse serviço deve elevar o patamar econômico de São João da Barra por meio de arrecadação e atração de novos investimentos. O Imposto Sobre Serviços (ISS) incidirá diretamente sobre todas as atividades logísticas de movimentação, armazenagem e estiva realizadas dentro do terminal do Açu. O dinheiro entrará livre para o caixa da prefeitura investir em saúde, educação e infraestrutura local.
O impacto no setor serviços será bastante significativo, alimentado pelo fluxo contínuo de caminhoneiros, tripulações de navios cargueiros e novos funcionários, ativando diretamente o comércio sanjoanense, beneficiando hotéis, restaurantes, postos de combustíveis, oficinas mecânicas e o mercado imobiliário local.
O fortalecimento do hub multicargas também será inevitável. A conclusão está no fato de que, ao provar que consegue escoar com eficiência o volume massivo da Petrobras, o município atrairá a atenção de outras grandes indústrias globais de mineração, siderurgia e agronegócio, gerando um efeito multiplicador de novos contratos futuros.
LOGÍSTICA - O porto resume o teor do contrato: o volume movimentado é de até 600 mil toneladas de coque de petróleo por ano; o contrato inicial é de um ano, com possibilidade de renovação por mais cinco. O Início das operações está previsto para o final de agosto de 2026, tendo como local o Terminal Multicargas (T-Mult) do Porto do Açu.
A logística do acordo está centralizada no escoamento de um subproduto gerado no processo de refino em quatro importantes refinarias da Petrobras situadas em três estados da região Sudeste: Refinaria Duque de Caxias (Reduc), na Baixada Fluminense; Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim, Minas Gerais; Refinaria de Paulínia (Replan), em Paulínia, São Paulo; e Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos, São Paulo.
Quanto à operação sob a responsabilidade do Porto do Açu, ela abrange todo o ciclo logístico regional, desde o recebimento e armazenagem segura até o embarque em navios de grande porte. Já a estrutura do terminal (o T-Mult) dispõe de 500 metros de cais operacional e calado homologado de 13,1 metros, com capacidade de operações operação simultânea de dois navios do tipo Panamax.
PRIMEIRO ACORDO - O CEO do Porto do Açu, Eugenio Figueiredo, comenta que o acordo fortalece o papel do complexo como polo de desenvolvimento local e nacional: "Nosso compromisso é desenvolver soluções logísticas eficientes e seguras. Este contrato reforça o Porto do Açu como um grande hub logístico do país, unindo nossa infraestrutura moderna à capacidade de realizar operações de grande escala com competitividade e segurança para a região”.
O acordo contemplou a disponibilidade de cais para acostamento temporário prévio à destinação/reciclagem e serviços especializados para plataformas flutuantes no Porto do Açu. Ficou acertado que as plataformas seriam provisoriamente acostadas para posteriormente seguirem para a reciclagem, conforme modelo de destinação sustentável, criado pela Petrobras.
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