Representantes do Porto do Açu e da OceanPact confirmaram a parceria no final da semana, durante a feira ROG no Rio de Janeiro Foto Assessoria/Divulgação

A Carta de Intenção assinada pelo Porto do Açu e pela OceanPact, no final da semana, durante a feira ROG.e, realizada no Rio de Janeiro, é avaliada como mais um passo estratégico para consolidar o complexo portuário como o maior hub de apoio offshore do mundo. A iniciativa tem potencial para impulsionar a economia e os empregos em São João da Barra.
A proposta viabiliza a ampliação imediata da área ocupada pela companhia no terminal, adicionando cerca de 27 mil metros quadrados aos 45 mil metros quadrados que a empresa já opera no local, além de garantir o direito de preferência para a incorporação de outros 60 mil metros quadrados.
A futura expansão engloba aproximadamente 100 metros de acesso ao canal e projeta a construção de até 300 metros de cais privativo, estrutura que será integralmente dedicada ao atendimento de embarcações de apoio e serviços especializados no setor de óleo e gás.
Diretor de Terminais e Logística do Porto do Açu, João Braz pontua que a OceanPact está presente no complexo portuário desde 2014 e utiliza a infraestrutura estratégica do Açu como base para operações críticas de resposta a emergências ambientais, suporte marítimo e engenharia subsea.
Resposta à demanda
Braz assinala que a ampliação da parceria reforça a flexibilidade e a capacidade do porto em acompanhar a evolução das demandas de seus clientes. Do lado da OceanPact, o CCO Erik Cunha destaca que o projeto é uma resposta direta à crescente demanda do setor energético na Bacia de Campos.
Cunha define o posicionamento do porto como um elo logístico indispensável para as petroleiras que operam na costa brasileira, onde o complexo já responde pela movimentação de mais de 30% das exportações nacionais de petróleo. A iniciativa também carrega um potencial transformador para a economia sanjoanense e regional.
O investimento na ampliação da base operacional deve injetar capital direto no município por meio do recolhimento de tributos, como o Imposto Sobre Serviços (ISS), fortalecendo o caixa da prefeitura para investimentos em áreas essenciais como saúde e educação.
Efeito multiplicador
Regionalmente, a consolidação desse ecossistema atrai novas empresas fornecedoras e prestadoras de serviços periféricos, gerando um efeito multiplicador que dinamiza o comércio local, o setor hoteleiro e o mercado imobiliário do Norte Fluminense. O impacto mais imediato e aguardado pela população local, contudo, reside na geração de empregos.
A expectativa é que a expansão física e a futura construção do cais privativo possam demandar mão de obra temporária para a fase de obras civis e engenharia. Posteriormente, a operação contínua da nova área exigirá a contratação de profissionais técnicos especializados, incluindo marujos, engenheiros, técnicos de segurança, especialistas em meio ambiente e pessoal de logística em terra.
Trata-se de um movimento que tende a priorizar a mão de obra regional e a impulsionar programas de qualificação técnica em São João da Barra e municípios vizinhos, como Campos dos Goytacazes, absorvendo trabalhadores locais em postos de trabalho de alta remuneração e reduzindo os índices de desemprego na região.