A erosão na foz do Rio Paraíba do Sul, no Pontal de Atafona, forma um cenário que atrai atenção e curiosidade Foto Gome/Reprodução
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município possui 452,396 quilômetros quadrados de extensão territorial e 36.573 habitantes registrados no Censo Demográfico de 2022. Na prática, a cidade busca conciliar o desenvolvimento impulsionado pelo Porto do Açu com a preservação de suas atividades tradicionais.
A valorização do turismo e a necessidade de enfrentar a erosão costeira - que há décadas transforma a paisagem de Atafona e ameaça áreas do litoral do Açu - são componentes de expressão ímpar na história e na identidade sanjoanenses, diretamente ligadas ao mar e à foz do Rio Paraíba do Sul.
Antes de ganhar projeção nacional pelos grandes empreendimentos industriais e portuários, São João da Barra já tinha na pesca, na agricultura, na pecuária e no comércio as engrenagens principais para a sustentação das famílias e a movimentação da economia. Essa diversidade continua sendo um dos principais patrimônios da cidade.
O desafio de ampliar os benefícios do crescimento econômico caminha lado a lado com a preservação dessa herança, sem deixar para trás as comunidades que construíram a trajetória local. A pesca artesanal, por exemplo, representa uma das expressões mais antigas dessa relação com o tempo, conectando diferentes gerações.
Em Atafona, a atividade reúne pescadores, embarcações e pontos de desembarque, envolvendo trabalhadores desde a captura até a comercialização e o beneficiamento do pescado. Essa cadeia produtiva também movimenta outros segmentos, como o fornecimento de gelo, o transporte, os frigoríficos, os restaurantes e o comércio local.
Turismo como diferencial
A dinâmica da foz do Rio Paraíba do Sul, o assoreamento, as condições de navegação e as mudanças na linha de costa interferem diretamente no acesso das embarcações aos locais de pesca e desembarque. Por outro lado, o capricho da natureza transforma o local em atrativo turístico: não são poucos os que visitam a região atraídos pelo impacto visual do fenômeno da erosão.
Não é por acaso que o turismo reflete fortemente na economia e na geração de trabalho e renda. O conjunto de atrativos naturais reúne as praias de Atafona, Grussaí, Chapéu do Sol e Açu, além de lagoas, manguezais e a paisagem da foz do Paraíba do Sul.
Eventos como o Carnaval, as festas juninas e as celebrações religiosas atraem milhares de visitantes, movimentando hotéis, pousadas, bares, restaurantes, ambulantes e prestadores de serviços. Mas a identidade turística sanjoanense vai além do sol e mar: a história local tem grande peso, preservada em casarões antigos, espaços culturais e na rica gastronomia regional.
Superação como marca
Construído a partir de 2007 e em operação desde 2014, o complexo portuário, industrial e logístico ampliou a presença do município nas rotas de investimentos nacionais e internacionais. Sua estrutura reúne atividades voltadas à movimentação de cargas, logística e à cadeia de petróleo e gás, além de abrir espaço para novos negócios e projetos associados à transição energética.
A agricultura é outro pilar significativo, destacando-se pelo cultivo do abacaxi, além de culturas como maxixe, quiabo, aipim, goiaba e outras frutas e hortaliças. Somam-se a essa produção as pecuárias de corte e leiteira. Nesse cenário, a agricultura familiar desempenha um papel fundamental, influenciando diretamente a segurança alimentar e a permanência das famílias em suas comunidades.
A conclusão que o dia a dia formata sobre São João da Barra é a de um município em patamar ascendente de projeção econômica, sem abrir mão da identidade construída ao longo das gerações. Entre a força do porto e a abrangência de suas riquezas naturais, a cidade desenha um caminho que busca combinar prosperidade econômica, preservação ambiental e qualidade de vida.

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