Os módulos climatizados das Centrais de Erosão funcionarão de terça a sábado, das 10h às 12h e das 13h às 17h Foto Secom/Divulgação

O histórico avanço do mar em Atafona e no Açu, em São João da Barra (RJ), está no foco das buscas de soluções prioritárias do governo municipal. Uma nova etapa decisiva na estratégia terá início na próxima terça-feira (6 ), com as atividades de campo do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (Evitea).
Trata-se do enfrentamento de um dos processos de erosão costeira mais severos do país. A iniciativa foi apresentada oficialmente na última quarta-feira (30), durante reunião da Câmara Técnica de Dinâmica Costeira na Prefeitura, pela empresa SEACaruso Soluções Oceânicas & Energias Renováveis, que conduzirá todo o processo.
Está definido que o estudo terá duração de 18 meses e mobilizará 29 profissionais de diversas especialidades. O objetivo principal é realizar uma leitura integrada da região. Para isso, os técnicos vão monitorar as correntes e níveis de água no rio Paraíba do Sul, mapear o fundo do mar, coletar sedimentos e monitorar ondas e correntes marinhas.
Também serão avaliadas as condições de dunas, manguezais, sistemas de drenagem urbana e o padrão de ocupação do território. Toda essa base de dados será inserida em softwares de modelagem matemática para simular o comportamento da costa e testar a eficácia de diferentes cenários.
Visando garantir a transparência e integrar a comunidade ao processo, o governo municipal decidiu implantar Centrais de Erosão em Atafona e no Açu. Instaladas em módulos climatizados nas duas localidades, as bases funcionarão de terça a sábado, das 10h às 12h e das 13h às 17h.
Mapeamento geral
Os espaços servirão como pontos de referência para que os moradores tirem dúvidas, acompanhem o cronograma e compartilhem relatos históricos sobre os impactos do mar. O levantamento social prevê entrevistas com pelo menos 211 moradores para mapear os impactos diretos da erosão na pesca, navegação, turismo e lazer locais.
A degradação da costa em São João da Barra acontece há mais de cinco décadas, gerando prejuízos econômicos, ambientais e sociais. Em Atafona, junto à foz do rio Paraíba do Sul, o fenômeno é registrado desde 1954, intensificado pela redução da vazão do rio e por dinâmicas oceânicas complexas.
O mar já engoliu cinco quarteirões inteiros e danificou parcialmente outros sete até 2019, redesenhando a configuração urbana local. Porém, em outras áreas ao sul do município, é registrado o comportamento oposto, com o avanço da faixa de areia, exigindo diagnósticos precisos para evitar que intervenções em um ponto agravem a situação em outro.
Garantia de recursos
A prefeita Carla Caputi vem acompanhando de perto a progressão do fenômeno e o desdobramento das iniciativas da gestão. Ela destaca que a coleta de dados em campo é fundamental para garantir decisões responsáveis e de longo prazo, ressaltando que o estudo não parte de uma solução predefinida.
“Serão avaliadas e comparadas alternativas como a engorda de praias (reposição de areia), a recuperação de dunas e praias, e a construção de estruturas rígidas de proteção”, adianta a prefeita, realçando que o relatório final seguirá as diretrizes do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).
De acordo com Caputi, o levantamento servirá como a justificativa técnica e ambiental necessária para que o município possa licitar projetos e captar os recursos públicos federais indispensáveis para as futuras obras de engenharia. O contrato com a SEACaruso, no valor de R$ 5.602.413,08, foi assinado em julho deste ano.