Roque, mulher trans agredida em TeresópolisReprodução IG

Cinco homens foram presos em flagrante após uma mulher trans ser vítima de um ataque com faca durante um evento de batalha de rimas realizado na noite de sexta-feira (28), em Teresópolis. A investigação da Polícia Civil trata o caso como tentativa de feminicídio e apura uma possível motivação transfóbica.

A vítima, Roque Marciano, de 32 anos, foi ferida na região das costelas e sofreu uma perfuração no pulmão. Ela foi socorrida e encaminhada ao Hospital das Clínicas de Teresópolis Constantino Ottaviano (HCTCO), onde permanece internada. Segundo informações divulgadas, seu estado de saúde é estável.

Os presos foram identificados como Emanuel Moura Cordeiro Boaventura, Wesley de Souza Pimentel, Daniel Portela Esteves, Paulo Ricardo do Vale Almeida e Matheus Maia Lopes de Souza.

Segundo a Polícia Civil, Emanuel é apontado pela investigação como o homem que teria desferido os golpes contra a vítima. Durante a abordagem, os policiais encontraram com ele uma faca preta com manchas de sangue. O registro da ocorrência também aponta a presença de sangue em suas mãos.

Com Wesley, foram apreendidos outro objeto perfurocortante, uma balaclava e um par de luvas. Todo o material recolhido deverá passar por análise pericial.

As prisões ocorreram nas proximidades da Feirarte, na Praça Higino da Silveira, no bairro do Alto. Para a Polícia Civil, há indícios de que os cinco homens tenham atuado conjuntamente durante a ocorrência.

A investigação também considera a identidade de gênero da vítima como um possível elemento relacionado à motivação do crime. De acordo com informações da corporação, os suspeitos já eram acompanhados havia cerca de dois anos em razão de denúncias envolvendo a disseminação de discursos de ódio e episódios de intolerância. Os investigadores também apuram a identificação do grupo com ideologia neonazista.

Imagens de câmeras instaladas na região e vídeos feitos por pessoas que acompanhavam o evento devem ajudar a Polícia Civil a reconstruir a sequência dos acontecimentos e esclarecer a participação de cada investigado.

A autoridade policial pediu à Justiça que as prisões em flagrante sejam convertidas em prisões preventivas. O caso segue sob investigação.
Coletivo LGBTere se manifesta

Em nota divulgada após o ataque, o Coletivo LGBTere manifestou solidariedade a Roque e classificou o episódio como consequência de um ambiente de intolerância que, segundo a entidade, já vinha sendo denunciado anteriormente no município. O grupo afirmou que os suspeitos seriam ligados a um grupo de ideologia neonazista e destacou que denúncias sobre a atuação dos envolvidos já haviam sido feitas no início deste ano.

A nota também relembra episódios ocorridos durante o período eleitoral de 2024, quando, segundo o coletivo, Rebecca Alves teria sido alvo de perseguição e ataques de caráter transfóbico. No posicionamento, a entidade repudiou qualquer forma de violência contra pessoas LGBTQIA+, mulheres trans, pessoas negras e defensores dos direitos humanos e afirmou que “Teresópolis não é território livre para o nazismo”.

O Coletivo LGBTere encerrou a manifestação defendendo organização e resistência contra o fascismo, o neonazismo e outras formas de discurso e violência motivadas pelo ódio.

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