A tecnologia requer uma sala de aula invertida

Por Carolina Pavanelli

Na avaliação do presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior, o novo banco de dados abre possibilidade para uma avaliação mais justa na análise de crédito
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Quando eu ocupava uma carteira em sala de aula, em um longínquo Ensino Fundamental que, possivelmente, nem tinha esse nome, eu sentava em fileiras com o professor lá na frente. Sempre estudei em escolas que estavam longe de serem lugares ultraconservadores, mas se eu tivesse uma dúvida, eu levantava o braço e esperava o professor me dar a vez de falar. Quando ele me respondia, eu anotava em meu caderno e apenas acreditava na resposta. Hoje, as coisas não funcionam bem assim. Muito antes de um aluno meu me perguntar qualquer coisa, possivelmente ele já checou no Google. Já achou dezenas de sites com explicações, animações e enredos muito mais interessantes do que eu. Perdi a guerra?

Sem dúvidas é assim que muitos professores se sentem. Não só educadores, mas os pais também se veem constantemente degladiando contra aqueles pequenos apetrechos eletrônicos que sugam a atenção de crianças e adolescentes. Durante muito tempo, a educação tentou lutar contra a tecnologia, enxergando-a como uma inimiga do processo de ensino e aprendizagem. Apenas uma distração, diziam. Eis, talvez, o conflito mais latente em nosso tempo no que tange educação: professores que foram ensinados de um jeito que não funciona mais para os alunos do século 21. Diversas formações docentes são, então, focadas justamente nisto: como lidar com essa diferença geracional?

Já está mais do que na hora de docentes enxergarem a tecnologia não como uma inimiga, mas uma aliada. Em escolas com amplo acesso a recursos tecnológicos (ainda a minoria absoluta no Brasil, é verdade, mesmo nas escolas particulares), é necessário fazer uso desses recursos de forma que a sala de aula fique mais atrativa. Se os alunos vão procurar no Google as respostas, essa é uma excelente oportunidade para lançar mão de uma sala de aula invertida, na qual o professor é um mediador da aprendizagem e os alunos podem fazer pesquisas, formular hipóteses embasadas e, por fim, apresentar os frutos ao restante da turma. O professor não precisa ser sempre o único detentor do conhecimento — mesmo porque ninguém é. Além disso, pode-se incentivar a discussão acerca das melhores formas de se buscar informações na rede, fugindo de outro grande problema do nosso tempo: as fake news. É claro que há muitas outras questões que merecem atenção, como a superexposição e mesmo o cyberbullying, mas se continuarmos olhando para a tecnologia como uma inimiga iremos, inevitavelmente, perder a guerra. Se não podemos vencê-la, portanto, que nos juntemos a ela.

 

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