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Filho de Anísio assume a Beija Flor e lança maior camarote da Sapucaí

Gabriel David é um dos sócios do 'Nosso Camarote', em parceria com Carol Sampaio e Ronaldo Fenômeno. Confira a entrevista

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Gabriel David, da Beija-Flor
Gabriel David, da Beija-Flor -

Ele tem 20 anos e já ocupa um posto de respeito na Beija-Flor. Filho de Anísio e alçado a herdeiro da escola, Gabriel David conquistou seu espaço na agremiação, como conselheiro, com a promessa de dar ares mais modernos ao Carnaval, o que será sentido amanhã, no Sambódromo. O desenvolvimento do desfile, inclusive, teve pitacos do início ao fim de Gabriel, com aval da comissão e do autor do enredo, o coreógrafo Marcelo Misailidis. Mesmo com tanta liberdade, ele garante que não quer tomar espaço de ninguém e avisa que o mandachuva Laíla continuará com todo seu poder na escola. Nascido dentro da Liesa, como ele mesmo diz, facilidade por ali ele desconversa, mas afirma que a relação com os dirigentes, que ele chama de tio, ajuda. E essa relação resultou no que promete ser uma das grandes estreias na Sapucaí: o Nosso Camarote, em parceria com Carol Sampaio e Ronaldo Fenômeno.

Acho que você é a pessoa mais importante do Carnaval de 2018 nos bastidores. Se tornou a maior figura da Beija-Flor e, além disso, tem a questão do camarote. Ao contrário da maioria das pessoas, que vê o Carnaval caindo, você resolveu levantar e ergueu o maior camarote da Sapucaí.

Acho que a minha paixão pelo Carnaval criou uma obrigação dentro de mim, que é melhorar o Carnaval. Na Beija-Flor, sem dúvida, tive um crescimento dentro da escola. Muitas das minhas ideias foram aceitas pelo Marcelo Misailidis e ganhei força. Isso fez com que a Beija mudasse o que vai apresentar na Avenida. Acho que vai ter um resultado com o público muito grande. Vai despertar uma curiosidade e ter uma interação maior. Agora a questão do camarote: acho que quando o Carnaval é menosprezado, a gente tem que levantar. O público tem que se divertir. O Carnaval é uma grande festa. A ideia do camarote é ilustrar tudo isso. Fazer o maior camarote é um grande empreendimento, sem dúvidas. Estou muito feliz porque está sendo um grande aprendizado pra mim.

Você citou um nome que talvez o grande público não conheça, que é o Marcelo Misailidis. Você considera ele uma figura importante na Beija-Flor?

Claro. O que vai ser apresentado nesse ano deve-se muito ao Marcelo e à comissão. Ele conseguiu dar novamente a cara que a Beija-Flor sempre teve: de inovação, de estar à frente.

Vai ter uma teatralização? Vamos ver na Avenida uma Beija-Flor mais teatral?

Também. A gente continua com os atos que tiveram em 2017. Isso não quer dizer que não terão alas. Vão ter. Os atos continuam dentro desse novo enredo. O que aconteceu no ano passado é que houve uma confecção ruim nas fantasias e a gente não foi penalizado. Teve jurado que disse que era o ponto forte. Por isso a gente optou por manter.

Você então admite que as fantasias estavam ruins?

Admito que as fantasias não estavam como eram esperadas.

Como podemos traduzir essa teatralização? Vai ser meio Paulo Barros?

É diferente. O Paulo cria muitos efeitos com as pessoas. A Beija-Flor está fazendo uma teatralização em cima do carro. É uma cena completa. As pessoas vão ter que acompanhar. A cena continua nas costas do carro. Em cada momento, uma cena diferente. A ideia é que as pessoas não tirem os olhos da alegoria, mesmo que ela esteja parada.

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Seu pai sempre tratou os componentes da escola como artistas, nunca como foliões. É isso mesmo?

Não tenha dúvida. No momento em que algumas pessoas tentam denegrir o Carnaval, nós temos que enaltecer porque estamos falando de artistas. Eles estão apresentando a arte que eles têm e gerando cultura para o estado e para a prefeitura.

Uma vez te procurei por uma questão envolvendo o Laíla. Chegou até mim que ele estava extremamente insatisfeito com a força e com a presença do Marcelo Misailidis no Carnaval dele. Por conta disso, iria pedir para sair após o Carnaval. O que você tem a falar?

O Laíla nunca comunicou isso a ninguém da direção. Pelo contrário. Meu relacionamento pessoal com o Laíla sempre foi muito positivo. Houveram embates entre os dois que foram construtivos para o final deste enredo. O próprio Marcelo admite isso. Lógico que no começo foi um pouco difícil para ceder uma coisa e outra do Marcelo, mas acho que o Laíla, com a genialidade dele, conseguiu mostrar como poderia agregar e melhorar o que já estava sendo feito. Sempre conversei muito com o Laíla e teve um momento em que ele disse que não estava da forma ideal. Isso realmente aconteceu. Então a gente tentou de diversas formas chegar a esse ideal. Todo dia perguntava o que estava faltando e a gente foi acertando de ponto em ponto. Um dia ele chegou e disse que estava feliz porque estava tudo certo.

O Laíla perdeu poder na Beija-Flor?

Não. O Laíla tem a comunidade inteira na mão dele. Inclusive quem pediu para passar os carros para o Marcelo fazer foi o Laíla. Ele não é aderecista. Ele tinha dentro da comissão pessoas que faziam isso. Então ele olhava e dizia onde poderia melhorar, e continua fazendo. Só que agora quem está fazendo os carros é o Marcelo e de uma forma diferente de como era feito.

As pessoas ficaram impressionadas com o fato da Beija-Flor convidar artistas. Virou Grande Rio, Gabriel?

De forma nenhuma. Nós convidamos a Pabllo, a Jojo e a Isabella Santoni por motivos específicos. A Isabella tem tudo a ver com a comunidade. Ela é nascida e criada em Nilópolis. Chegou até mim e disse que era o sonho dela desfilar na Beija-Flor. Foi a quase todos os ensaios. Com certeza estará nos próximos anos porque é apaixonada pela escola. Jojo e Pabllo são questões pontuais que tinham a ver com o enredo. Precisávamos de uma pessoa que representasse a diversidade sexual. Esse foi o caso da Pabllo. Na verdade, a gente chegou a dois nomes: Pabllo e Paulo Gustavo. Só que o Paulo não ia estar aqui no Carnaval. A gente queria os dois. Mas aí convidamos a Pabllo e ela aceitou. Tomara que ela continue com a gente nos próximos anos. No caso da Jojo foi parecido, mas quando a gente fez o convite, ela falou que era Mocidade. Isso pra mim foi um choque. Como trazer para a comunidade alguém que não é da comunidade? Mas ela foi muito bem recebida aqui. Não sei se é verdade, mas dizem que a Mocidade chegou a convidar ela para desfilar depois do nosso convite e ela não teria aceito porque disse que agora ela é Beija-Flor. A gente chamou a Jojô antes dela estourar.

Ela canta no Nosso Camarote?

Canta sim. No sábado das campeãs.

O que o público pode esperar da Beija-Flor?

Uma Beija-Flor diferente, leve! Com uma vontade gigantesca de inovar, com um enredo brilhante... Com uma garra constante de quem quer ganhar o Carnaval. Tenho certeza de que todo mundo vai cantar o nosso samba na Sapucaí.

O Nosso Camarote foi ideia sua ou da Carol Sampaio?

Foi uma ideia em conjunto. Eu tinha um projeto que estava acontecendo que já era o Nosso Camarote.

O nome é seu?

Sim. Aí a Carol chegou, dizendo que tinha saído do Número 1. Eu vi a possibilidade de juntar públicos com uma pessoa já consagrada no mundo de eventos. Pra mim, foi muito legal. Ela veio com outros nomes, como o Deixa Falar. Então a gente fez o nome Nosso Camarote, com o slogan Deixa Falar. O projeto era muito menor no início. Aí quando a Carol entra e o Ronaldo, a gente faz o maior camarote em termos físicos da Sapucaí. No setor 10, embaixo e ao lado da última cabine de jurados. Ele é onde há dois anos foi o Folia Tropical. Só que muito maior. Temos uma boate que cabe 2 mil pessoas.

Terá prejuízo ou lucro?

Meu objetivo no primeiro ano é lucro muito pequeno. É um investimento muito alto e é a construção de uma marca. A venda dificulta porque não tenho essa marca pronta. Mesmo dizendo que é o maior camarote da Sapucaí, é difícil visualizar.

Houve uma questão que nós acabamos não noticiando. A Sapucaí é cercada de catracas que fazem o controle para a Liesa. O acesso ao Nosso Camarote será feito de fora da Sapucaí. Não haverá esse controle, o que facilitaria a entrada de mais pessoas do que o previsto. Parece que a Liesa teria fornecido 2 mil convites e vocês colocariam 4 mil. Para quem não conhece, no camarote Número 1, as pessoas também entravam direto de fora. Parece que esse ano haverá um controle com catracas dentro do Número 1.

Eu acho que todo camarote da Sapucaí tem que ter catraca. Porque trata-se de um produto e não é certo ninguém entrar ali sem controle. Foi um pedido meu dentro da Liesa. Por isso que esse ano, o Número 1 continua tendo a entrada dele por fora da Sapucaí, mas vai haver uma catraca da Liesa dentro dele. E o mesmo vai acontecer no Nosso Camarote. A entrada é por fora da Sapucaí, mas ela tem uma catraca da Liesa, com pessoas da Liesa na porta. Essa entrada só é por fora porque o contorno do Setor 10 é muito ruim em termos de segurança e espaço. A entrada vai ser pelo setor 8, mas o camarote fica no setor 10.

Então, com a catraca, significa que o número que a Liesa te deu é o que você vai botar lá pra dentro?

Sim. Mas vamos ser claros: nenhum camarote coloca somente pessoas com convite dentro dele. Na Sapucaí existem pessoas com credenciais e todo mundo que trabalha no camarote é credenciado. Quem entra com o convite são os clientes do camarote. São quase 200 pessoas só de staff.

Uma das reclamações do camarote Número 1 no ano passado foi em relação à superlotação. Artistas fazem exigências. Eles pedem oito, dez convites. Vai ter isso no Nosso Camarote?

Não são exigências. Acho que é um agrado que a Carol faz. Ela sempre trabalhou dessa forma. É importante frisar que a Carol não paga cachê para o artista.

Qual é o máximo de convites que você dá a um artista.

No máximo oito convites. Mas tem artista, por exemplo, Luan Santana, que vai se apresentar na sexta no Nosso Camarote. Então ele tem mais que isso.

Mas também sexta-feira...

É só pra deixar claro que raríssimos artistas tem mais de dois convites. E tudo isso é contabilizado de acordo com a tarja magnética que a Liesa libera para a gente.

A Carol sempre sonhou ter um camarote. Sem o dinheiro do Ronaldo e sua entrada na Liesa isso não seria possível. Tô errado?

O Ronaldo não botou um centavo.

Gabriel David, da Beija-Flor - Eduardo Hollanda/Divulgação
Então o dinheiro é seu?

Carol botou dinheiro e tem uma parte de patrocínios.

Ronaldo não botou dinheiro mesmo?

Não. O Ronaldo tem uma porcentagem pequena do projeto. Ele tirou um custo muito alto do projeto, que é um custo de produção. Esse e o custo de pagamento da Liesa são os mais altos. Ronaldo entra com toda a produção, é sócio, mas não fez nenhum aporte financeiro.

Você teve algum tipo de facilidade da Liesa por ser filho do Anísio?

Digamos que um contato maior. Nasci dentro da Liesa. Conheço todos os dirigentes desde pequeno. Tenho o telefone, chamo de tio. Tenho um respeito imenso por eles.

Se Deus falasse: eu te dou um desejo. Ou o Nosso Camarote vai ser o melhor, com um lucro absurdo, ou um título da Beija-Flor?

Meu pai vai me bater, mas quero o título. Meu pai acha que tem que pensar primeiro no negócio e depois na paixão. Quando estou muito no barracão, ele fala para eu ir olhar o camarote. Ele nunca precisou mandar eu ir na Beija-Flor. Sempre foi uma paixão minha. Comecei a ir no barracão sem falar nada pra ninguém. E fui ficando.

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