Corregedoria da Polícia Civil prende agente dentro da delegacia por corrupção

Flagrante de pagamento de R$ 12 mil de propina foi feito dentro da 74ª DP (Alcântara)

Por O Dia

Rio - Cinco policiais da Corregedoria da Polícia Civil foram mobilizados, nesta manhã, para prender o policial civil Fábio Nunes Moura e um acusado de estelionato e pagador da propina, Alan Linhares da Motta na 74ª DP (Alcântara), em São Gonçalo. Para fazer o cerco, os agentes contaram com informações atualizadas da Divisão de Assuntos Internos (DAI). A ação interrompeu a negociação do pagamento de R$ 20 mil para permitir a liberdade de Motta.  

Nos carros foram apreendidos cartões supostamente clonados e também dados de contas de várias pessoasDivulgação

Eles foram capturados em flagrante dentro da delegacia, quando seriam pagos R$ 12 mil, complemento da primeira ‘prestação’ de R$ 8 mil, segundo informações recebidas pela Corregedoria. A propina deixaria Motta livre da acusação de estelionato. Ele foi preso, pela primeira vez, sexta-feira pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) na BR-101 — que liga o Rio ao Espírito Santo, na altura de Guaxindiba, com diversos cartões de crédito e R$ 2.960. Motta foi levado para a 74ª DP onde foi apresentado a Moura para ser realizado o flagrante, a partir daí começaram as negociações entre o policial e o acusado de estelionato.

Vídeo mostra Motta carregando pequeno volume na mão direitaDivulgação

De acordo com as investigações da Corregedoria da Polícia Civil, Motta levou em espécie R$ 12 mil. Uma parte do dinheiro, o equivalente a R$ 9 mil, foi apreendida na lixeira da delegacia e outra, de R$ 3 mil, no carro de luxo, um Jeep Compass, avaliado em mais de R$ 100 mil. No mesmo veículo foi encontrada uma bolsa marrom com inúmeras folhas impressas com dados de codificação de cartões bancários, que são conhecidas como trilhas das informações conservadas em tarjas magnéticas e chips de cartões de crédito. Motta alegou que o material pertencia aos seus clientes.

No mesmo veículo, um agente da Corregedoria, encontrou dezenas de cartões de crédito e de contas bancárias. Os agentes filmaram parte da ação na delegacia. No vídeo, Motta aparece carregando um pequeno volume na mão direita, parecido com um porta-óculos. 

Nos carros foram apreendidos cartões supostamente clonados e também dados de contas de várias pessoasDivulgação

Além da apreensão do dinheiro e cartões de crédito, os agentes apreenderam o veículo Jeep Compass e um Toyota Corolla que havia sido deixado por Motta no estacionamento de um shopping center. 

Policial tentou disfarçar

O policial civil Fábio Nunes de Moura recebeu com surpresa a ação dos agentes da corregedoria. Mas em uma mochila dele, os agentes encontraram cartões em nome de Alan Linhares Motta.

Outros cartões também foram localizados na lixeira, ao lado da mesa de trabalho de Moura. Em um gaveteiro havia ainda um saco de tecido preto com notas de R$ 50. Em sua defesa, Moura afirmou que Motta havia deixado o volume, sem que ele pudesse ter percebido. O policial civil responderá pelo crime de concussão — corrupção praticada por agente público. A pena varia de dois a oito anos de prisão.

Motta alegou que estava na delegacia para apenas ‘resolver problemas’ em função de ter sido detido pela Polícia Federal, com cartões de crédito, que ele alegou ser de seus clientes. Ele foi indiciado por corrupção ativa. A pena varia de dois a 12 anos de prisão.