Vem aí a Cidade do Samba 2

Prefeitura estuda três terrenos para receber a nova casa das escolas da Série A, antigo acesso

Por O Dia

Rio - Um velho sonho das escolas da série A, antigo grupo de Acesso, está mais perto de se tornar realidade. A Prefeitura do Rio está analisando três terrenos públicos que poderão abrigar a futura Cidade do Samba 2. O condomínio da folia receberá as 17 agremiações que hoje estão espalhadas pela Região Metropolitana, em barracões improvisados e sem a menor estrutura de trabalho. Desta vez, a prefeitura decidiu não revelar os possíveis locais até concluir o negócio.

Em entrevista ao DIA, o prefeito Eduardo Paes chegou a anunciar, há dois anos que a nova casa da série A seria instalada no terreno da antiga fábrica do Sabão Português, às margens da Avenida Brasil, em São Cristóvão, na Zona Norte. A notícia foi comemorada pela Liga das Escolas de Samba do Estado do Rio de Janeiro (Lierj), mas os herdeiros da fábrica não chegaram a um acordo quanto ao preço e o negócio foi desfeito.

A prefeitura propôs então a transferência das escolas para o terreno da antiga Escola de Veterinária do Exército, na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão. A Lierj recusou por considerar que o local não seria viável. “As escolas não conseguiriam transportar os carros alegóricos até a Sapucaí”, diz Déo Pessoa, presidente da Lierj, que está confiante na promessa feita por Paes. “Nos dar esse espaço é um compromisso dele com o Carnaval do Rio e uma questão de dignidade para as escolas”, afirma Déo.

Segundo o presidente da Liga, se tudo der certo, as escolas poderão se mudar para a nova casa no ano que vem, a tempo de preparar o Carnaval de 2016. A ideia é que a Cidade do Samba 2 seja mais moderna e autosustentável, fazendo uso racional da água e luz e promovendo shows para turistas.

Enquanto a mudança não acontece, as escolas da Série A correm para colocar o samba na Avenida, em meio às dificuldades, principalmente, para as 12 escolas que convivem com obras na Zona Portuária da cidade.

Criatividade para driblar escassez

Sem patrocínio de grandes empresas e governos, escolas da Série A, como Alegria da Zona Sul, Viradouro, Porto da Pedra e Acadêmicos da Rocinha, driblam as dificuldades financeiras para fazer um Carnaval alegre e criativo. Para montar as alegorias e custear as fantasias, as agremiações contam apenas com recursos pagos pela TV Globo por direito de uso de imagem, na transmissão dos desfiles e uma verba pública repassada pela Prefeitura do Rio. Os valores não foram revelados pela Lierj por acordo contratual. Para o presidente da Lierj, Déo Pessoa, alguns patrocínios acabam por engessar o trabalho dos carnavalescos. “No Grupo Especial, as escolas ficam muito presas a temas patrocinados. Na Série A, o Carnaval é para brincar e divertir o público.”

Obras suspenderam ensaios técnicos

A temporada de ensaios técnicos das escolas de samba que disputam a Série A da Lierj chegou ao fim neste fim de semana. Unidos do Viradouro, de Niterói, e Inocentes de Belford Roxo fizeram a festa no Sambódromo com entrada gratuita do público. Este ano, por conta das interdições no trânsito na Zona Portuária, somente 11 das 17 agremiações do antigo grupo de Acesso puderam fazer seus ensaios técnicos.

As escolas também têm sofrido com a poeira que sobe das obras na região e toma conta das alegorias. Um problema que deve se manter pelo menos neste Carnaval e no do ano que vem. Um acordo feito entre a Lierj e a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), responsável pela reurbanização da região, garante a manutenção das 12 escolas no entorno do Porto até que elas possam se mudar para a Cidade do Samba 2.

“De certa forma, as obras nos afetam, como também nós, com a saída dos carros alegóricos para o Sambódromo, também causamos transtornos no trânsito. A saída dali é a melhor solução para todo mundo”, avalia Déo Pessoa, que ainda não sabe como será o roteiro de saída das alegorias das agremiações até a Sapucaí. “Na Cidade do Samba, as escolas saem organizadas em comboio. Na série A, cada agremiação sai de um ponto da Região Metropolitana, mobilizando uma quantidade muito maior de agentes de trânsito”, diz o presidente.

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