Um dos trechos da RJ155 na pista sentido Angra somente em meia pistaDivulgação

Angra dos Reis - Quem trafega pela RJ-155 se depara com um problema antigo e recorrente: os inúmeros buracos ao longo da via, situação que fica ainda pior em períodos de chuva. Os temporais dos últimos dias abriram ainda mais as crateras existentes em vários pontos da rodovia, que liga municípios da Costa Verde, como Angra dos Reis e Mangaratiba, a cidades do Médio Paraíba, como Rio Claro, Barra Mansa e Volta Redonda.

As reclamações sobre a precariedade da estrada não são recentes. Em 2021, a deputada estadual Célia Jordão protocolou uma indicação na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro solicitando ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RJ) a recuperação da via. Desde então, segundo a parlamentar, diversas cobranças foram feitas às autoridades responsáveis, sem que as obras em alguns trechos tenham sido iniciadas. Outros a sinalização com cones indicam o perigo das crateras.

-Essa situação está colocando em risco a vida das pessoas que precisam utilizar a RJ-155. A gente acaba se perguntando se é falta de verba ou falta de vontade de resolver o problema - afirmou a deputada, que já fez uso da Tribuna na Assembleia Legislativa do Rio sobre o perigo da RJ155.

Até o momento, nem DER e nem Governo do Estado anunciaram novas obras no local. Enquanto isso, o perigo segue assombrando os motoristas.
Para Mário Sérgio, motorista de aplicativo que faz esse trajeto diariamente o perigo é constante.
-Precisamos trabalhar tenho família pra sustentar e contas pra pagar. É um absurdo os buracos ao longo da 155. Falta manutenção - disse. 
A via hoje é administrada pelo Departamento de Estradas e Rodagens do Rio de Janeiro (DER-RJ) e apresenta pavimento comprometido, ausência de acostamento na maior parte e falhas estruturais que elevam o risco de acidentes, principalmente no período da noite.
Levantamento recente mostra que mais de 80% da rodovia não possuiu acostamento. O que torna ainda mais um perigo anunciado aos motoristas em caso de pane mecânica ou colisão. São obrigados a permanecerem na pista sem uma área de escape, muitas vezes em trechos sinuosos de serra.
O asfalto apresenta deformações, buracos profundos, remendos irregulares e perda de camada de rolamento. Em dias de chuva, a drenagem deficiente agrava a situação, formando lâminas d’água e reduzindo a aderência dos veículos.


Combinação Perigosa

Especialistas em engenharia rodoviária apontam que a combinação entre pista simples, tráfego pesado (incluindo caminhões) e ausência de áreas de refúgio aumenta o risco operacional da via, sobretudo no período noturno.

Outro ponto crítico são os três túneis localizados no trecho de serra. Motoristas relatam infiltrações, desgaste do revestimento interno, piso irregular e ausência de iluminação adequada. Quem vive na estrada e percorre a RJ-155 diariamente sente na pele os riscos das más condições de conservação da via.

Riscos Estruturais

Além do desconforto e da insegurança, há preocupação com possíveis riscos estruturais. A falta de manutenção preventiva amplia a percepção de vulnerabilidade em uma área que exige controle permanente de encostas e estruturas de contenção.

A sinalização horizontal (faixas no pavimento) encontra-se apagada em diversos segmentos. Já a sinalização vertical apresenta placas danificadas ou insuficientes, especialmente em curvas acentuadas e trechos de declive.

A ausência de tachas refletivas e pintura termoplástica comprometem a visibilidade noturna — um fator crítico em rodovia de traçado sinuoso e sem iluminação pública. A assessoria da deputada informou que em 2023, o gabinete recebeu do DER resposta aos ofícios encaminhados ao órgão, informando que encontrava-se em fase de elaboração de projeto para revitalização da RJ-155.
A reportagem do O Dia aguarda o posicionamento do DER. 
 
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