Professor Bruno (C), Leon (E) e Divulgação

Angra dos Reis - Dois jovens de Angra dos Reis, na costa verde, vão levar o nome da cidade e do país a um dos maiores eventos internacionais de tecnologia educacional. Leon Fernandes e Lorenzo Betsuyajku, ambos de 13 anos, foram selecionados para integrar a equipe brasileira que disputará as Olimpíadas de Robótica deste ano, na Grécia, reunindo mais de 150 competidores, entre os dias 3 a 6 de abril. 
Lion e Prontos para representarem o Brasil e Angra na Grécia - Divulgação
Lion e Prontos para representarem o Brasil e Angra na GréciaDivulgação
 
Os estudantes fazem parte de uma escola particular de robótica no centro da cidade, coordenado pelo professor e instrutor Bruno Carvalho. Segundo ele, o desempenho dos alunos é resultado de disciplina e dedicação.
-A capacidade de competitividade, a resiliência e o gosto pelo aprendizado têm levado esses jovens a se destacarem em  competições. A expectativa para a disputa internacional são as melhores possíveis. Estamos nos preparando. Eu sempre digo: ganhar é bom, mas competir é adquirir conhecimento, interagir com outros jovens,  abrindo portas para novos horizontes-  destacou o professor.
Colecionadores de medalhas e troféus, Leon e Lorenzo enxergam na robótica não apenas uma paixão, mas também uma oportunidade de futuro. Leon tem diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA), com Altas Habilidades e encontra na robótica uma ferramenta de inclusão e desenvolvimento, ele sonha em desenvolver tecnologias voltadas à ciência.
-Quero construir um robô que desça a grandes profundidades para estudar animais marinhos. Também penso em criar métodos que ajudem no combate às células cancerígenas. Competir está dentro de mim-  afirmou. Apesar do interesse pela área tecnológica, ele não abre mão do desejo de se tornar professor de História.
A dupla treina com o robô fabricado por eles na impressora 3D - Divulgação
A dupla treina com o robô fabricado por eles na impressora 3DDivulgação
 
Já Lorenzo se destaca pelo domínio no controle de robôs e drones, habilidades essenciais nas competições controladas. Para ele, a robótica pode abrir portas na indústria automobilística. "Eu gosto de competir e criar com a robótica", resumiu.
Um detalhe observado pelo professor Bruno, com base em estatística é que houve aumento nos últimos anos na procura de famílias, com filhos diagnosticados com transtornos, pelas aulas de robótica. Um aprendizado que envolve disciplina, concentração e desenvolvimento cognitivo e emocional. Uma preparação para os desafios da vida fora do tatame da robótica.
O trabalho também envolve familiares, ajudando a romper barreiras do preconceito e ampliar o espaço desses jovens na sociedade. O apoio familiar tem sido fundamental nessa trajetória.
-Eles estão desenvolvendo habilidades e deixando um pouco de lado os jogos e o celular. Eu torço pelo Leon e incentivo meu filho - disse Samara Fernandes, mãe de Leon. Já Katrin Betsuyajku, mãe de Lorenzo, reforça: “A robótica é a profissão do futuro. Vou apoiá-lo sempre”. Os meninos estudam na parte da manhã na escola regular e uma vez por semana, na parte da tarde, colocam em prática suas habilidades e testam seus talentos e criatividade nas montagens de mini robôs e nas competições pelo país a fora.
Apesar das conquistas, os pais destacam a falta de incentivo público. Segundo eles, muitos talentos locais enfrentam dificuldades para custear participação em competições. “Falta vontade política”, ressaltou um pai presente a nossa reportagem.
Em uma cidade conhecida por revelar talentos em diversas áreas, os desafios financeiros ainda são realidade. Muitas vezes, atletas e estudantes precisam recorrer ao comércio local para garantir despesas com viagens, hospedagem e alimentação — situação que se repete com Leon e Lorenzo, que também necessitam de acompanhamento familiar durante o evento, pela idade.
Mesmo diante das dificuldades, o projeto segue crescendo demonstrando o impacto positivo da iniciativa na vida dessas crianças, que deixam o imaginário de uma tela de computador para construir com suas próprias mãos personagens principais em uma competição de robótica. Para o professor Bruno, o bom desempenho em competições pode abrir portas acadêmicas e profissionais para esses jovens, transformando talento em oportunidade.
Você pode gostar
Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.