Vila do Abraão hoje, véspera do feriado de Corpus ChristiDivulgação

Ilha Grande - A Polícia Civil cumpriu, nesta quarta-feira (3), uma decisão da Justiça que determinou a desobstrução do acesso ao cais da Vila do Abraão, principal porta de entrada da Ilha Grande, em Angra dos Reis. A medida ocorre em meio às manifestações contrárias à cobrança da Taxa de Preservação Ambiental (TPA), implantada desde segunda-feira (1º) pelo município. A liminar concedida pela 2ª Vara Cível da Comarca de Angra, prevê ainda a aplicação de multas em casos de descumprimento da ordem judicial. O mesmo entendimento se aplica a eventuais atos de depredação do patrimônio público. 
Durante a operação, agentes da Polícia Civil entregaram citações às pessoas apontadas como responsáveis pelo movimento e que estavam concentradas no cais de embarque e desembarque, acesso à Vila do Abraão. Segundo as autoridades, a mobilização estaria comprometendo o livre trânsito de moradores, trabalhadores e turistas, o que motivou a intervenção judicial para garantir o acesso ao cais.
Segundo a Polícia Civil um homem foi conduzido ao posto da 166ª DP, na Vila do Abraão, onde foi registrado um boletim de ocorrência pelos crimes de ameaça e desacato, sem informações de prisões ou confrontos durante o cumprimento da decisão.
A versão apresentada pelas autoridades é contestada pela Associação de Moradores da Vila do Abraão. Segundo a entidade, a manifestação não impede a entrada de pessoas na ilha e tem como foco apenas barrar a cobrança da taxa aplicada aos visitantes, que são orientados ao não pagamento. Os moradores argumentam que o movimento busca chamar a atenção para os impactos da medida sobre a população local e o setor turístico.
O presidente da Associação de Táxis Náuticos do Abraão também afirmou que os turistas continuam chegando normalmente à Vila do Abraão pelos acessos de Conceição de Jacareí e pelo município de Mangaratiba. Segundo ele, moradores têm formado cordões humanos para orientar os visitantes e evitar que efetuem o pagamento da taxa.
A cobrança da TPA segue gerando forte repercussão na Ilha Grande. Moradores, empresários e representantes do turismo questionam a forma como a taxa vem sendo implementada e defendem maior diálogo entre a administração municipal e a comunidade local.
O impasse envolvendo a Taxa de Preservação Ambiental continua mobilizando diferentes setores da sociedade e mantém o clima de tensão às vésperas do feriado de Corpus Christi, na principal entrada da Ilha Grande.
A Delegacia de Angra dos Reis continua investigando os ataques aos totens da cabine de cobrança da taxa de turismo na Vila do Abraão, onde dois homens que aparecem nas imagens das câmeras de segurança, depredam a cabine e ateiam fogo no local, na madrugada dessa segunda-feira (1º), quando a prefeitura deu início à cobrança.
Por conta do clima de insegurança enfrentado pelos moradores e visitantes, o município está avaliando a possibilidade de suspender todos os grandes eventos previstos para os próximos meses, como o Festival de Música e Ecologia da Baía da Ilha Grande, no começo de julho.
As aulas nas escolas da Ilha continuam suspensas. 
 
Prefeitura apresenta balanço do Viva Angra e anuncia novos investimentos para a Ilha Grande


A Prefeitura de Angra dos Reis apresentou, nesta quarta-feira (3), um balanço dos primeiros dias de funcionamento do Viva Angra – Sistema Digital de Turismo (SDT), ferramenta criada para organizar a entrada de visitantes no município e fortalecer os investimentos em turismo sustentável. A avaliação foi divulgada durante uma coletiva de imprensa realizada na sede da Defesa Civil, com a presença de representantes do governo municipal.
Durante o encontro, foram apresentados os primeiros resultados do sistema e destacada a importância da arrecadação gerada pelo Viva Angra para garantir que o fluxo turístico contribua diretamente para a manutenção, preservação e melhoria da infraestrutura local.
Entre as principais prioridades apontadas pela administração municipal está o avanço do saneamento básico na Ilha Grande. O investimento na área é considerado fundamental para proteger a saúde da população, preservar rios, praias e trilhas, além de garantir que o turismo continue se desenvolvendo de forma sustentável.
-Hoje a ilha recebe mais de 1,2 milhão de turistas por ano. É um volume que a nossa estrutura não suporta sem planejamento. O principal fator de colapso é o saneamento básico, que é diretamente impactado pelo aumento descontrolado do fluxo de pessoas, que chega a dobrar nos momentos de maior movimento. Precisamos ordenar para que o nosso patrimônio seja preservado. O turismo precisa trazer desenvolvimento, não degradação -  afirmou o superintendente da TurisAngra, Ulisses Covas.
De acordo com os dados apresentados, a Ilha Grande recebe atualmente investimentos muito superiores ao valor arrecadado no próprio território. O município aplica cerca de R$ 104 milhões em obras, serviços e ações públicas na localidade, o equivalente a aproximadamente 15 vezes o montante arrecadado na ilha.
Nos últimos anos, enquanto a arrecadação local permaneceu em torno de R$ 7 milhões, os investimentos públicos cresceram de forma significativa. Em quatro anos, o aumento registrado foi de 127%, refletindo o esforço da Prefeitura para ampliar a presença do poder público e melhorar a qualidade de vida dos moradores.
Segundo o prefeito em exercício, Rubinho Metalúrgico, o Viva Angra surge como uma ferramenta estratégica para garantir a preservação do destino turístico sem que todos os custos recaiam exclusivamente sobre os cofres municipais.
-O Viva Angra tem como objetivo garantir que Angra dos Reis, especialmente a Ilha Grande, continue sendo um destino preservado, estruturado e preparado para receber turistas, sem que todo o custo recaia apenas sobre os cofres municipais. O Viva Angra passa a ser, assim, uma ferramenta estratégica para equilibrar desenvolvimento econômico, cuidado ambiental e qualidade de vida para a população - destacou.
A Prefeitura também ressaltou que o Sistema Digital de Turismo permitirá um controle mais eficiente do fluxo de visitantes, fornecendo dados precisos para o planejamento de políticas públicas. Com essas informações, será possível organizar melhor os serviços oferecidos, reduzir impactos ambientais e direcionar investimentos de acordo com as necessidades de cada comunidade, contribuindo para o desenvolvimento sustentável de Angra dos Reis e da Ilha Grande.


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