Trinta anos da implosão do presídio na Vila Dois Rios, na Ilha Grande (E) para dá espaço ao Ecomuseu (D)Divulgação/Rede Social UERJ

Entre águas cristalinas, praias de areia branca e trilhas cercadas pela Mata Atlântica, a Ilha Grande, em Angra dos Reis, na Costa Verde fluminense, revela uma história de transformação. O território que abrigou um presídio por décadas tornou-se referência em turismo de natureza, preservação ambiental e pesquisa científica.
A mudança começou oficialmente em junho de 1971, quando o Decreto Estadual nº 15.273 criou o Parque Estadual da Ilha Grande, com aproximadamente 15 mil hectares. A iniciativa buscava conciliar a implantação de uma estrutura turística com a proteção da reserva florestal. Na época, a demarcação priorizou a Vila do Abraão, a Praia de Lopes Mendes e Freguesia de Santana, áreas que permanecem entre os principais atrativos da região.
Com 193 quilômetros quadrados, a ilha é considerada a terceira maior do Brasil, segundo estudo do Ecomuseu Ilha Grande, vinculado à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Seu nome remete à denominação indígena Ipaum Guaçu, expressão de origem tupi que significa justamente ilha grande. A riqueza natural também tem reconhecimento internacional: desde 1992, a região integra a Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, reconhecida pela UNESCO.
Entre os cartões-postais, Lopes Mendes se destaca pela extensa faixa de areia fina e clara, mar aberto e cenário preservado. A experiência se completa com caminhadas, passeios de barco e visitas às comunidades insulares.

Cândido Mendes

Outro capítulo importante está na Vila Dois Rios. O local abrigou o Instituto Penal Cândido Mendes entre 1940 e 1994. Após o encerramento das atividades, a área passou à UERJ, que implantou o Ecomuseu Ilha Grande a partir de 2001. O espaço reúne o Museu do Cárcere e estruturas históricas que ajudam a preservar a memória do antigo complexo penitenciário.
A transformação também floresce no Parque Botânico Ilha Grande, iniciativa que produz cerca de três mil mudas por ano e busca contar a história do território por meio de sua vegetação. O acesso ocorre pela trilha entre o Abraão e Dois Rios, que acompanha o traçado da antiga estrada utilizada para chegar ao presídio.
A visita pode ser planejada durante todo o ano. Entre junho e agosto, o menor volume de chuvas costuma favorecer as caminhadas. No verão, a recomendação é priorizar os passeios de barco pela manhã, por conta dos temporais típicos da época.
A partir de Angra dos Reis, a cerca de 150 quilômetros da capital fluminense, o acesso é feito pela BR-101 e por embarcações que atravessam a baía até a Vila do Abraão. Escunas, lanchas e táxis aquáticos também conectam diferentes pontos da região.
Na Ilha Grande, natureza e memória caminham juntas. Onde antes havia muros e celas, hoje crescem mudas, pesquisas e novas possibilidades de turismo responsável.

Turismo, pesca e artesanato

O vilarejo vive do artesanato, pesca e principal fonte de renda o turismo. Durante todo ano a Vila do Abraão recebe visitantes que chegam por pequenas embarcações particulares, de turismo ou nos grandes transatlânticos
Você pode gostar
Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.