O evento aconteceu no Centro Universitário de Barra Mansa (UBM)Foto: Chico de Assis
Barra Mansa realiza 1º Fórum de Saúde Mental com foco no cuidado em liberdade
Evento reuniu profissionais da rede para discutir desinstitucionalização, acolhimento e fortalecimento da atenção psicossocial no município
Barra Mansa - A Secretaria de Saúde de Barra Mansa realizou, na manhã desta quinta-feira, dia 19, o 1º Fórum de Saúde Mental de Barra Mansa – 2026, com o tema “Da Desinstitucionalização ao Acolhimento: Como o Manejo Pode Ser Feito”. O evento aconteceu no Centro Universitário de Barra Mansa (UBM) e reuniu profissionais da rede de saúde, assistência social e demais interessados na temática da saúde mental e do cuidado em liberdade.
A iniciativa teve como objetivo promover a reflexão sobre o processo de desinstitucionalização de pessoas que permaneceram por longos períodos em instituições psiquiátricas ou de caráter custodial, além de discutir os desafios envolvidos no retorno desses usuários aos seus municípios de origem, quando passam a ser acompanhados pelos serviços da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).
Durante o encontro, foram apresentadas e debatidas estratégias de acolhimento, manejo clínico e psicossocial, bem como a importância da articulação intersetorial para garantir o cuidado em liberdade e a reinserção dessas pessoas em seus territórios.
A programação contou com a participação do psiquiatra Marcos Argôlo, que compartilhou sua experiência como perito técnico junto ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, contribuindo para o debate sobre os desafios e as possibilidades no processo de desinstitucionalização e no acompanhamento desses usuários na rede de cuidados.
O coordenador do CAPS Estação Mental, Rafael de Oliveira, destacou a importância estratégica do fórum para o fortalecimento da política de saúde mental no município. “Este fórum tem um papel fundamental ao articular prática, política pública e território. Ele cria um espaço de formação e atualização dos profissionais da rede, além de contribuir para alinhar as práticas ao modelo da Reforma Psiquiátrica, evitando retrocessos e fortalecendo o cuidado em liberdade”, afirmou.
Segundo o coordenador, o encontro também favorece a integração entre os diferentes pontos da Rede de Atenção Psicossocial. “Quando reunimos profissionais do CAPS, da Atenção Básica, da Assistência Social e do sistema de justiça, conseguimos melhorar a comunicação, qualificar os fluxos de atendimento e fortalecer a corresponsabilização pelos casos”, explicou.
Rafael de Oliveira ressaltou ainda a relevância da troca de experiências proporcionada pelo evento. “A presença de um palestrante com atuação no Ministério Público amplia o olhar sobre casos complexos, especialmente aqueles que envolvem institucionalização prolongada, judicialização e garantia de direitos”, destacou.
O coordenador também enfatizou os impactos diretos na qualificação do cuidado ofertado à população. “Ao refletirmos sobre o manejo dos usuários, ampliamos a capacidade da rede em oferecer intervenções mais humanizadas, evitando práticas excludentes e fortalecendo o acolhimento no território. Por fim, este encontro reforça o nosso compromisso com a construção e consolidação de uma política pública de saúde mental ética, humanizada e baseada na garantia de direitos, com impacto direto na vida dos usuários e na organização do trabalho das equipes”, completou.

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