Encontro promovido pela Secretaria de Saúde reuniu profissionais da rede pública e privada no Parque Natural de SaudadeFoto: Gabriel Borges

Barra Mansa - A Secretaria Municipal de Saúde de Barra Mansa promoveu nesta quinta-feira, dia 14, no Parque Natural de Saudade, uma capacitação voltada para coordenadores e profissionais da rede de urgência e emergência das redes pública e privada. O encontro teve como tema a “Profilaxia Pós-Exposição (PEP) ao HIV, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs)”.
A capacitação foi conduzida pela equipe do Programa IST/Aids de Barra Mansa, formada pela médica Vivian Naves, pela farmacêutica e coordenadora do programa, Letícia Ferreira, e pela enfermeira Daiana Mateus.
Durante o encontro, os profissionais receberam orientações sobre fluxos de atendimento, acolhimento, notificações e a importância do início rápido da profilaxia pós-exposição, considerada uma urgência médica em casos de possível contato com o vírus HIV e outras ISTs.
A coordenadora do Programa IST/Aids, Letícia Ferreira, destacou que a capacitação foi direcionada aos profissionais que atuam diretamente na porta de entrada dos atendimentos de urgência e emergência.
“Hoje o encontro foi focado para os profissionais da rede de urgência e emergência, médicos, equipe de enfermagem e farmacêuticos, todos que fazem parte dessa rede de cuidado, inclusive os profissionais que podem realizar a prescrição. Nosso evento é voltado para a profilaxia pós-exposição tanto ao HIV quanto às outras ISTs e hepatites virais”, explicou Letícia.
O Programa IST/Aids de Barra Mansa oferece gratuitamente acompanhamento, testagem e tratamento para HIV, sífilis e hepatites virais. O serviço, vinculado à Secretaria Municipal de Saúde, é referência regional e se destaca pela conquista da Certificação de Eliminação da Transmissão Vertical do HIV, evitando a transmissão do vírus de mães para bebês.
Atualmente, o município acompanha cerca de mil pacientes pelo programa. Durante a capacitação, a médica Vivian Naves reforçou a importância da rapidez no atendimento aos pacientes expostos ao risco de contaminação.
“A PEP é entendida como uma urgência médica porque ela reduz significativamente o risco de transmissão do HIV quando iniciada dentro da janela de até 72 horas após a exposição. Depois desse período, já não é mais possível administrar o antirretroviral de forma preventiva e o paciente passa a necessitar de tratamento, caso tenha ocorrido a infecção”, alertou Vivian.
A médica ainda comparou a profilaxia a um mecanismo de proteção emergencial e ressaltou a importância do fluxo correto de atendimento. "A gente fala que a PEP é um freio de segurança. Precisamos ter atenção a esse prazo, às rotinas e ao fluxo para conseguirmos proteger o usuário exposto. Muitas vezes o primeiro contato do paciente acontece justamente na rede de urgência. Então não podemos perder tempo com esse paciente, fazendo ele circular entre unidades sem o devido atendimento e proteção”, completou.
A enfermeira Daiana Mateus também destacou a importância do acolhimento e da correta realização das notificações dos casos, fundamentais para o planejamento das políticas públicas de saúde. “Os dados das notificações mostram para o município, para o estado e para o Ministério da Saúde qual é o perfil epidemiológico da cidade. É isso que direciona as intervenções necessárias e também permite avaliar se o trabalho realizado está alcançando os objetivos e indicadores esperados”, explicou Daiana.
Ela ressaltou ainda que a qualidade das informações impacta diretamente nas ações e no financiamento da saúde pública. “Embora pareça apenas uma folha de papel, a notificação é extremamente importante para a saúde pública. Os números se transformam em ações, intervenções e também em financiamento para a saúde. Por isso, é fundamental que esses dados sejam preenchidos corretamente e com qualidade”, concluiu.