Monitoramento ambiental no local desdobra-se por meio da aplicação direcionada de carrapaticidas Foto Ascom/Divulgação
Diagnóstico tardio de febre maculosa reacende alerta
A polêmica foi reforçada recentemente, em Bom Jesus, com a morte de uma pessoa provocada pela chamada doença do carrapato
A confirmação, nessa segunda-feira (14), de que a febre maculosa — popularmente conhecida como doença do carrapato — provocou a morte do eletricista Anderson Faria Guimarães, de 40 anos, em Bom Jesus do Itabapoana, abre um duplo desafio: o grave problema epidemiológico e uma crise de confiança na gestão da saúde pública, gerando debate sobre os desafios do diagnóstico precoce de doenças endêmicas no Noroeste Fluminense.
Anderson faleceu no dia 1º de setembro após manifestar sintomas que, inicialmente, foram atribuídos à dengue. A confirmação oficial de que a causa real da morte foi febre maculosa foi divulgada pela Secretaria Municipal de Saúde após o resultado emitido pelo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-RJ).
Em nota, a Coordenadoria de Vigilância em Saúde do município informa que a vítima buscou o primeiro atendimento médico assim que os primeiros sintomas surgiram, em 24 de agosto. E ressalta que, em decorrência da forte semelhança clínica inicial com o quadro de dengue, ele não recebeu a medicação antimicrobiana imediata recomendada para a febre maculosa.
Sem a cobertura do tratamento específico, o quadro clínico do eletricista evoluiu rapidamente. Ele retornou para a realização de novos exames no dia 29 de agosto e, dois dias depois, deu entrada na unidade hospitalar já em estado gravíssimo, vindo a falecer na manhã seguinte. Diante do desfecho, foram adotadas ações emergenciais de contenção e mapeamento de riscos na propriedade rural da qual a vítima era proprietária.
A justificativa apresentada para ponderar o caso é que, como a região também convive com surtos sazonais de dengue, o sistema de saúde tendeu a seguir pelo caminho estatisticamente mais comum. Contudo, o protocolo do Ministério da Saúde exige que, em áreas de risco para febre maculosa, o histórico de deslocamento do paciente (ir a fazendas, rios, ter contato com animais) seja investigado na primeira consulta.
ALERTA GERAL — Nesta terça-feira (15), técnicos realizam o monitoramento ambiental no local, acompanhados por familiares do eletricista. As ações englobam o controle de vetores por meio da aplicação direcionada de carrapaticidas e uma rigorosa fiscalização da fauna local, visto que a propriedade possui áreas de pasto e trânsito de animais hospedeiros do carrapato-estrela, como cavalos, cães e capivaras.
A morte de Anderson é o quinto óbito por febre maculosa registrado no Noroeste Fluminense em 2026. A estatística agrava um panorama de saúde pública que desafia a região há anos: com esse novo caso, as regiões Norte e Noroeste Fluminense já somam pelo menos 36 mortes decorrentes da infecção pelo carrapato-estrela no período acumulado entre 2022 e 2026.
Embora a situação ainda careça de esclarecimento definitivo, ela leva as autoridades sanitárias das duas regiões a reforçarem o alerta para que qualquer morador que apresente febre alta de início súbito, dores intensas de cabeça ou no corpo e que tenha frequentado áreas de vegetação informe imediatamente a exposição ao médico, visando evitar novos atrasos terapêuticos.

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