Simone Tebet deu entrevista nesta terça-feira (25) ao programa 'Bom dia, Ministra'Reprodução/Canal Gov

A ministra de Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB), disse que "O Brasil está no caminho certo" quando questionada pelo DIA sobre o atual momento do país em comparação ao que foi traçado em 2023, momento em que assumiu a pasta. A resposta foi dada no programa "Bom dia, Ministra", no canal Gov, na manhã desta terça-feira (25).
A ministra, em primeiro momento, exaltou os pontos que enxerga como positivos na atual gestão. "O Brasil está dando certo. Fala alguém aqui que não é do PT, uma pessoa de centro. Eu dialogo com a esquerda e a direita. Já vi momentos muito mais críticos em nosso país. Nunca tivemos tantos jovens e mulheres no mercado de trabalho", disse.
No entanto, ela admitiu durante a entrevista que "o mercado está caro" e destacou medidas do governo para fazer com que a população não sinta este aumentos no bolso, como a isenção do ICMS nos produtos da cesta básica.
Além disso, a política admitiu que "temos um problema sério de segurança pública no Brasil" e que é necessário seguir fazendo políticas públicas para esta questão, já que, segundo ela, "não há uma família brasileira" que não tenha passado por problemas neste sentido.
'Bolsonaro é carta fora do baralho'
A ministra foi perguntada pelo repórter Gabriel Jacobsen, da "Rádio Gáucha", sobre como a investigação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, pode afetar a estabilidade do país. O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia, nesta terça-feira (25), a análise da denúncia para decidir se o tornará, ou não, réu. Este é um caso que pode condená-lo a uma longa pena de prisão.
"Se houve tentativa de golpe de Estado, aqueles que estiverem envolvidos devem ser punidos. Ao meu ver, Bolsonaro é carta fora do baralho. Acredito que vai sofrer as penalidades da lei", destacou.
Ela também apontou que "a sociedade brasileira está cansada dessa polarização. Mas especialmente a população percebeu 'o que ele fez no verão passado'. Aqui fala alguém que estava na CPI da Covid e viu quantas vidas poderia ser salvas e não foram pelo atraso injustificado na compra de vacinas. Vamos aguardar os acontecimentos. A gente espera obviamente que haja Justiça e eu confio muito nas decisões do Supremo Tribunal Federal", pontuou.
Alta na Selic
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de elevar a Taxa Selic (juros básicos da economia) de 13,25% para 14,25% ao ano desagradou muitas pessoas, motivando até mesmo o protesto de centrais sindicais na última semana.
Sobre isso, Tebet afirmou que o país está sendo influenciado por questões externas, como a posse de Donald Trump como presidente dos EUA
"Como ministra eu não posso achar nada, no particular eu posso achar. A taxa Selic é uma das maiores do mundo. No entanto, tem um fator que veio para tumultuar um pouco: a eleição do presidente Trump. Precisamos entender o que está vindo da política externa", disse.

"O mundo tá inflacionado, o mundo tá tensionado. Nós temos que saber como vão ser as relações comerciais com essa nova ordem mundial que o governo americano está querendo impor do nacionalismo e isso tem impacto também nos juros do Brasil", completou.
Empréstimo consignado para CLT é 'questão de Justiça'
A ministra também falou sobre a questão do empréstimo consignado para trabalhadores CLT, que oferece condições de crédito para esta classe de empregados.
"A questão do consignado para o CLT não é uma questão de Justiça, é uma questão de poder. A população brasileira está muito endividada, por isso ele pode trocar dívidas com juros mais altos por dívidas com juros mais baixos", pontuou.
Orçamento
O projeto de lei orçamentária de 2025 foi aprovado pelo Congresso Nacional na última quinta-feira (20). A previsão de orçamento total é de R$ 5,8 trilhões, com um teto de despesas sujeitas ao arcabouço fiscal de R$ 2,2 trilhões e uma folga de recursos (superávit) estimada em R$ 15 bilhões.

O orçamento, que estima as receitas e fixa as despesas da União para o ano, serve para garantir os investimentos governamentais em programas sociais. Além disso, há o investimento em diversas questões estruturais do país.
Tebet ressaltou a importância de combater a sonegação de impostos. Segundo ela, este problema tira cerca de R$ 500 bilhões dos cofres públicos. A ministra explicou que novas ferramentas que utilizam a inteligência artificial podem identificar sonegadores.