Ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)Pablo Porciuncula / AFP

A defesa de Jair Bolsonaro (PL) informou que o barulho do ar-condicionado da cela onde o ex-presidente está preso, na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, está interrompendo o "repouso mínimo necessário" para sua recuperação física e psicológica.
Segundo os advogados, o ruído é contínuo e ocorre ao longo das 24 horas do dia. Eles afirmam que a situação ultrapassa o mero desconforto e configura uma perturbação constante à saúde e à integridade do preso.
Diante disso, a defesa solicitou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, a adoção urgente de medidas para adequar o ambiente ao conforto do ex-chefe do Executivo. Entre as providências sugeridas estão isolamento acústico, mudança no layout da cela ou outra solução equivalente.
O pedido se baseia no artigo 5º, inciso XLIX, da Constituição Federal, que assegura aos presos o respeito à integridade física e moral. Para a defesa, o ambiente atual não garante condições mínimas de tranquilidade, repouso e preservação da saúde.

"O ambiente atualmente disponibilizado não assegura condições mínimas de tranquilidade, repouso e preservação da saúde, sendo plenamente passível de verificação por quaisquer servidores da própria Superintendência da Polícia Federal", aponta o documento.
Bolsonaro está preso em uma sala de Estado-Maior na Superintendência da PF. O espaço tem ar-condicionado, televisão, janela, armário e um frigobar.
Nesta segunda-feira (5), Moraes, relator das ações penais relacionadas à tentativa de golpe de Estado, determinou que a PF forneça, no prazo de cinco dias, informações sobre um ruído contínuo do ar-condicionado  da sala.
Veja:
Alta hospitalar
O ex-presidente recebeu alta médica na última quinta-feira (1º) e deixou o Hospital DF Star pouco depois das 18h40. O ex-chefe do Executivo retornou à sede da PF para seguir cumprindo a pena de 27 anos de prisão a que foi condenado por liderar uma tentativa de golpe.
Antes da alta, Moraes negou um novo pedido de prisão domiciliar humanitária a Bolsonaro. Ao avaliar a solicitação, o ministro considerou que a defesa não apresentou "fatos supervenientes que pudessem afastar" as razões para sua manutenção em regime fechado.

O magistrado também destacou que, "diferentemente do alegado pela defesa", a condição de saúde de Bolsonaro não se agravou, mas sim houve um "quadro clínico de melhora dos desconfortos que estava sentindo, após a realização de novas cirurgias eletivas".

O ex-presidente foi internado no Hospital DF Star na véspera de Natal, com aval de Moraes, para passar, no dia seguinte, por sua oitava cirurgia desde 2018, quando sofreu o atentado a faca durante a campanha eleitoral. A intervenção cirúrgica visou a tratar de uma hérnia inguinal.

Bolsonaro também passou por uma série de procedimentos em seu nervo frênico, com o objetivo de amenizar suas crises recorrentes de soluços.