Defesa pediu que Deolane fosse transferida para Sala de Estado-Maior por ser advogadareprodução/redes sociais
A Sala de Estado-Maior é um espaço instalado em unidade das Forças Armadas ou em forças auxiliares, como Polícia Militar e Corpo de Bombeiros. Não é uma cela comum de presídio, mas um ambiente de caráter administrativo, sem características de encarceramento. O local oferece cama, banheiro privativo, iluminação natural, ventilação adequada ou ar-condicionado e espaço para descanso.
Deolane se tornou ré em junho, quando o juiz Deyvison Heberth dos Reis, da 3ª Vara Criminal de Presidente Venceslau, recebeu a denúncia contra a influenciadora, o líder do PCC Marco Willians Herbas Camacho, o "Marcola Narigudo", três familiares dele e um suposto operador financeiro do grupo investigado. Todos passam a responder por lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Desembargadora aponta 'acomodações condignas' usufruídas por Deolane
A influenciadora tem acesso a itens como batom, creme, esmalte, sombra e chapinha, além de direito a visita íntima. O pavilhão onde está custodiada dispõe de banheiro com chuveiro elétrico e água quente, sistema de TV, bebedouro com água gelada, garrafa térmica para o período noturno, ventilador e pinturas com desenhos antiestresse nas celas.
Segundo informações da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) encaminhadas ao Ministério Público de São Paulo, Deolane também recebe kits de higiene pessoal e tem direito a quatro refeições diárias elaboradas conforme critérios nutricionais. A visita íntima é realizada no quarto sábado de cada mês, por período de até duas horas, em espaço específico.
"Essas circunstâncias fáticas evidenciam que o Estado disponibilizou à paciente instalações que superam os padrões da carceragem comum, garantindo a sua total segregação da população prisional geral e oferecendo acomodações condignas que cumprem, com folga, a função protetiva da Sala de Estado-Maior, em estrita observância ao comando do artigo 7º, inciso V, da Lei nº 8.906/94", anota a relatora.
O voto da relatora foi acompanhado integralmente pelos outros dois desembargadores da 16ª Câmara Criminal da Corte, Leme Garcia e Marcos Zilli.
OAB pediu transferência de Deolane
Ao negar o pedido, a relatora afirmou que, embora o relatório da OAB-SP aponte problemas como desgaste do colchão, proximidade entre a área sanitária e o armazenamento de alimentos, ruídos de outros setores da unidade, limitações de ventilação, registro anterior da presença de animal peçonhento, qualidade precária dos cobertores e restrições no parlatório, essas situações não configuram manifesta insalubridade, abandono institucional ou violação grave da dignidade humana.
A magistrada acrescentou que a própria vistoria da OAB confirmou que Deolane permanece separada da massa carcerária comum e ocupa alojamento exclusivo no pavilhão destinado a presos com direito à cela especial.
"O relatório elaborado pela Ordem dos Advogados do Brasil possui relevância institucional, mas não ostenta presunção absoluta de veracidade, devendo ser sopesado em conjunto com as informações oficiais prestadas pela administração penitenciária e com as inspeções judiciais realizadas pela Corregedoria Permanente do presídio", pontua a magistrada.
Após o pedido da Ordem em favor de Deolane, que a OAB-SP não tem adotado a mesma medida em relação a outros advogados presos sob suspeita de integrarem organizações criminosas. Levantamento da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), obtido pelo jornal, aponta que 20 advogados estão atualmente presos em celas comuns do sistema penitenciário paulista.
A OAB-SP afirmou que, "nos casos em que é acionada, presta assistência a 100% dos advogados presos que solicitam esse acompanhamento". A entidade acrescentou que, desde 23 de agosto de 2023, quando passou a adotar o atual sistema de registros, apresentou 27 pedidos de habeas corpus relacionados a advogados presos que requisitaram assistência da Ordem.
Segundo investigadores da Operação Vérnix, porém, a OAB-SP não pediu a transferência de nenhum desses advogados para uma Sala de Estado-Maior, benefício pleiteado no caso de Deolane, investigada sob suspeita de atuar como "fechamento" financeiro do PCC.
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