Renan Santos participou do evento 'Encontro com Presidenciáveis' em Brasília nesta terça-feiraAluizio Almeida / MBL

O candidato do partido Missão à Presidência da República, Renan Santos, afirmou que defende o fim da Justiça do Trabalho no Brasil e disse que as questões podem ser resolvidas no âmbito da Justiça Cível. As declarações ocorreram nesta terça-feira, 18, durante o evento "Encontro com Presidenciáveis - Diálogo pelo Futuro do Brasil", promovido pela União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (Unecs), em Brasília.
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Na ocasião, Santos defendeu uma "reforma trabalhista decente", disse que há uma legislação trabalhista "inadequada" no Brasil e uma lógica "perversa" da Justiça do Trabalho, com "proteções desnecessárias" e geração de "tensão" entre patrões e empregados

"Nós temos que falar de maneira aberta. A CLT já deu, já era", declarou o candidato. "Acabar com a Justiça do Trabalho, porque as relações entre civis têm que ser tratadas na Justiça Cível", disse.

Em seguida, Santos criticou o fim da escala 6x1. "Eu fui o único candidato que discursou contra essa maluquice."

À imprensa, após a sua participação no evento, Santos voltou a falar sobre o fim da Justiça do Trabalho. "Relações entre privados se resolvem na Justiça Cível. Se você tem um problema de um salário não pago, se resolve na Justiça Cível."

O candidato criticou ainda os gastos com a Justiça do Trabalho. "Nós criamos uma Justiça que custa mais caro que os próprios resultados dela", disse ainda.

Questionado sobre dar fim à CLT, Santos afirmou que vai "discutir se vai ter a CLT, somada com outros modelos", e mencionou a criação de uma alternativa que aumente a base de pessoas formalizadas, como os microempreendedores individuais (MEIs).
''Alcolumbre tem empresários como escravos, sem compromisso com setores produtivos''
Renan Santos também afirmou que o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), "não tem compromisso com os setores produtivos".

Na ocasião, Santos disse que o Congresso Nacional age como "covarde" em relação à proposta do fim da escala 6x1 e defendeu reformas estruturantes nas áreas trabalhista e previdenciária, além de desindexação do salário mínimo e cortes em benefícios sociais.

O candidato defendeu a união entre os setores produtivos por um "pacto" por um País mais produtivo. "Ou o Brasil produtivo ganha e a gente passa todas as reformas estruturantes, ou a gente vai ser governado pelos políticos dos Estados menos produtivos do Brasil, que não estão ligando para nada."

Santos continuou: "Vocês são governados pelo Alcolumbre, do Amapá, um Estado que não tem geração de emprego, um Estado, acho que é o mais violento do Brasil hoje. Ele manda em todos vocês que estão gerando emprego. Vocês são escravos do Alcolumbre".

O candidato disse ainda que, embora os empresários "paguem a banda", é o presidente do Congresso e "políticos corruptos" que, segundo ele, "escolhem a música".

"É uma vergonha, porque quem paga a banda escolhe a música. Vocês pagam a banda, por que o Alcolumbre escolhe a música? Por que os políticos corruptos dos Estados que não estão preocupados com agenda de competitividade escolhem o destino do Brasil?"
Defesa da redução da maioridade penal para quem cometer crimes violentos
Renan Santos também defendeu o fim da maioridade penal para crimes hediondos e a redução para 14 anos da maioridade penal para crimes violentos.

"Todos os crimes violentos vão ter redução da maioridade penal, e crimes hediondos não têm idade penal", disse Santos a jornalistas. "Se um garoto de 12 anos estuprou alguém e levou essa pessoa a morrer, ele será julgado."

Fazenda

No mesmo evento, o candidato afirmou que já escolheu o seu ministro da Fazenda, mas declarou que o anúncio do seu nome será realizado na semana que vem.

A jornalistas, Renan Santos defendeu cortes de R$ 200 bilhões anuais, por meio de redução em supersalários e em renúncias tributárias, desindexação do salário mínimo e desvinculação de pisos constitucionais da saúde e da educação, entre outras medidas.

Segundo o deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP), um dos nomes da equipe econômica é Paulo Bijos, ex-Ministério do Planejamento e Orçamento.