Haddad disse que 'nunca ouviu' o nome de Luchsinger no período em que foi titular da FazendaReprodução / TV Cultura
"Eu nunca ouvi o nome dessa pessoa. Nem pedido de audiência, nem reunião, nem evento social, nem nada", disse Haddad, durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura. O candidato disse também que só soube nesta segunda que Luchsinger já foi candidata a deputada estadual pelo PT.
A lobista ganhou projeção nacional pela proximidade com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ela é investigada pela Polícia Federal em apurações que envolvem suspeitas de tráfico de influência, corrupção e lavagem de dinheiro, incluindo possíveis relações com contratos públicos.
A posição vai na contramão do governo Lula, que viu na ação do governo Donald Trump uma tentativa de interferência externa em assuntos internos e uma ameaça à soberania nacional. Em outro momento, o petista adotou uma definição mais tradicional de organização terrorista, na qual há uma ideologia e objetivo político por trás. "O fato é o seguinte, se é crime organizado precisa ser combatido".
Questionado se o Brasil conseguiria resistir a uma tentativa de intervenção dos EUA, Haddad disse que "depende do governo" e comparou Lula - que em sua visão conseguiria conter esse ímpeto intervencionista por ser respeitado por vários países e governos - com um "governo entreguista". Em seguida, mencionou seu adversário na eleição, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
"O que o Tarcísio propôs: vamos entregar algo para o Trump para ele sossegar. Vamos entregar o quê? Pix, terras raras?", respondeu, citando o atual ocupante do Palácio dos Bandeirantes
Ele afirmou que Flávio Bolsonaro (PL) e Eduardo Bolsonaro (PL), filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, "negociaram o tarifaço contra São Paulo" e que Tarcísio não se manifestou contra as ações deles junto ao governo americano. "Não tem uma palavra dele contra isso", disse Haddad.
A principal proposta de Haddad na área de segurança é criar um gabinete, presidido por ele, integrando as polícias estaduais, a Polícia Federal, órgãos federais, como a Receita Federal e o Coaf, e os Ministérios Públicos federal e estadual.
Ainda no tema da segurança, os entrevistadores mencionaram a suspeita de que o vereador de São Paulo, Senival Moura (PT) tenha ligações com o PCC - o político passou 40 dias preso por essa acusação. Haddad afirmou que "nunca mexemos um dedo" para proteger "quem quer que seja" e defendeu a investigação e eventual prisão do petista, se for o caso.
Ele, no entanto, afirmou que não é possível fazer "falsa simetria" e citou que o comandante da Polícia Militar de São Paulo na gestão Tarcísio foi substituído após ser acusado de omissão em um caso de corrupção de policiais pelo PCC. "Outra coisa é você afastar o comandante da Polícia Militar e anunciar que ele foi afastado por relevantes serviços prestados", disse Haddad sobre o caso.
Ele também mencionou Flávio Bolsonaro como um exemplo da "falsa simetria" e disse que o candidato do PL à Presidência não consegue explicar a visita ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e outros casos que esteve envolvido ao longo dos anos, como o preço que pagou por uma mansão no Lago Sul de Brasília e as denúncias de "rachadinha" em seu gabinete quando era deputado estadual.
Haddad falou em melhorar a gestão na saúde para acabar com as filas par consultas, exames e procedimentos, disse que a situação das contas públicas paulistas é a pior desde os anos 1990 e defendeu que a população seja consultada sobre o que fazer com o ecossistema das casas de apostas, as chamadas bets.
"Chegou um momento do povo brasileiro poder julgar o que é melhor para o País", disse Haddad. "Depois de quatro anos sem nenhuma regulamentação, criamos um problema que deveria ser submetido à opinião pública, deveríamos dialogar com a opinião pública sobre a conveniência ou não de manter esse ecossistema", disse o candidato do PT.
Repasses a São Paulo e dívida pública
"Nós botamos quatro vezes mais dinheiro aqui que o Bolsonaro colocou no governo Doria. Nós viabilizamos todas as obras do governo do Estado", justificou. Questionado sobre um empréstimo de R$ 2 bilhões do governo do Piauí, que foi liberado em apenas dois dias. acrescentou: "Tem muitos Estados que não têm endividamento. Não tem quase análise para fazer. São Paulo deve muito".
O candidato do PT também afirmou que o atual patamar da dívida pública federal não preocupa quando comparado com outros países. Ele disse que o problema atual é a dinâmica da dívida. "Com juros reais de quase 10%, ou que seja 8%, não tem superávit primário que dê conta da dinâmica da dívida", afirmou.
Ele afirmou que o governo Lula tomou a primeira providência nessa segunda-feira, 31, ao enviar o orçamento de 2027 para o Congresso Nacional com previsão de superávit efetivo de R$ 18,6 bilhões. "Isso em si já vai ter um impacto importante no mercado", avaliou Haddad.
Segundo o ex-ministro da Fazenda, a taxa de juros básica da economia, atualmente em 14%, está em um "patamar inadequado". O atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, foi indicado por Lula. Cabe ao BC definir o nível da taxa. "O Banco Central tem autonomia prevista em lei. Eu não estou entrando nesse mérito, estou fazendo uma avaliação do que eu acho que tem de ser a política monetária", acrescentou Haddad.
Cotado para ser um dos sucessores políticos de Lula, que chegará com 84 anos na próxima eleição, em 2030, Haddad evitou se colocar como alternativa e disse apenas que a sucessão será "complexa", porque não aparecerá um líder como o atual presidente. "O PT tem muitos quadros e novos vão surgir. O progressismo não vai acabar", finalizou Haddad.
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.