Augusto Cury participou de sabatina na Veja nesta terça-feiraRedes sociais / Jovem Pan / Reprodução
"O que Lula não entende é que o maior problema da América Latina é o personalismo gerado pelo presidencialismo", afirmou Cury.
Segundo o candidato, o presidencialismo favorece a perpetuação de líderes no poder e estimula movimentos políticos centrados em figuras individuais. Cury disse que esse personalismo "gerou o peronismo, gerou o chavismo, gerou lá atrás no Brasil o varguismo e está gerando o bolsonarismo e o lulismo".
Na avaliação dele, a fidelidade excessiva aos líderes políticos também reduz a capacidade de crítica dentro desses próprios movimentos. "Os piores inimigos de Bolsonaro não são os lulistas, são os bolsonaristas, que não o criticam", disse.
Cury fez a mesma avaliação em relação ao presidente. "E os piores inimigos de Lula são os lulistas, não são os bolsonaristas", afirmou.
Para o candidato, quando um grupo político deixa de criticar sua própria liderança, passa a tratá-la como uma figura acima de questionamentos. "Se você não critica, você endeusa", afirmou.
Soberania
"Nós precisaremos de cooperação, sem dúvida nenhuma, com o DEA, com o departamento que cuida do tráfico de drogas dos Estados Unidos, que é uma polícia federal, e também com o FBI, mas jamais abrir mão da nossa soberania. Reitero, jamais abrir mão", afirmou.
Cury associou o "desespero" de Trump com os tarifaços ao elevado endividamento dos Estados Unidos, que, segundo ele, equivale a cerca de 122% do PIB e já supera US$ 40 trilhões.
"E, além disso, nós temos que entender que o desespero de Trump nesses tarifaços esconde que a nação americana está super endividada, eles devem cerca de 122% do PIB, já está ultrapassando 40 trilhões de dólares", afirmou.
"Por detrás do desespero de Trump, está a tentativa de equalizar os gastos assustadores, dramáticos que eles fazem, acima do que arrecadam", completou em outro momento.
Segundo o candidato, o Brasil não deve aceitar uma relação de subserviência com os Estados Unidos. Cury voltou a defender que o fortalecimento do agronegócio seria uma das formas de ampliar o peso do País nas negociações internacionais.
"Então, não teremos uma relação subserviente", afirmou. "O agro precisa passar de 350 para 700 milhões de toneladas nos próximos 10 anos para alimentar cerca de 2 bilhões de seres humanos, a 2 bilhões e meio. Aí nós vamos sentar de igual para igual com o líder da China, o líder dos Estados Unidos."
Privatização
"Em relação às estatais, aquelas estatais que forem ineficientes vão ter que ter um choque de gestão, se não se consertarem, elas serão privatizadas", afirmou.
O candidato também disse que os funcionários públicos concursados serão mantidos, mas defendeu treinamento e melhor estrutura para a prestação de serviços. Segundo ele, o governo também precisaria revisar os cerca de 50 mil cargos escolhidos por políticos para identificar quais seriam essenciais.
"Os funcionários públicos de carreira, eles serão preservados, porque são concursados", disse. "Nós temos 50.000 cargos que são escolhidos pelos políticos. São cargos que não são de carreira e nós temos que revisar quais deles são essenciais e quais não são "
O candidato também voltou a defender um ajuste fiscal amplo, com redução de despesas, combate à corrupção e à sonegação e auditorias nas contas públicas.
"Nós temos que ter a responsabilidade fiscal na veia, temos que enxugar a máquina, combater a corrupção, combater a sonegação, fazer auditoria, enxugar o que for possível", afirmou.
Cury também criticou o nível dos juros no País e disse que a atual taxa Selic prejudica o agronegócio, o comércio, a indústria e as famílias. Apesar disso, afirmou que o Banco Central deve permanecer independente.
"Eu não tenho dúvida que o Banco Central tem que ser independente, completamente independente, mas esses juros nessas alturas asfixiaram, de maneira dramática, o agro, o comércio, também a indústria e, claro, as famílias brasileiras", disse.