Renan Santos (Missão) afirmou que o Brasil não deve se alinhar automaticamente nem à China nem aos Estados UnidosFelipe Soares/Partido Missão

O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) afirmou nesta terça-feira, 22, ver risco de interferência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas eleições brasileiras. A declaração foi dada durante entrevista ao Jornal da Record.
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"Eu vejo risco de interferência de Trump nas eleições brasileiras", afirmou. Renan também defendeu que o combate ao crime organizado seja conduzido pelas forças de segurança brasileiras. "Quem terá a honra de destruir o crime organizado serão as forças policiais brasileiras", disse, ao citar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

O candidato afirmou ainda que o Brasil não deve se alinhar automaticamente nem à China nem aos Estados Unidos. "O Brasil não será vassalo da China, como quer o Lula, nem dos EUA, como quer o Bolsonaro", declarou.

Renan também disse que os interesses norte-americanos no País envolvem recursos minerais. "O que os EUA querem é tirar as terras-raras do Brasil e levar para lá", afirmou.

Voto jovem

Renan Santos afirmou que aposta nos eleitores mais jovens para tentar ampliar sua candidatura e chegar ao segundo turno das eleições. Segundo ele, os filhos precisam ter "força e argumento" para convencer os pais a votar em sua candidatura. "Preciso fazer os filhos terem força para convencerem seus pais a votarem em mim", afirmou.

Renan foi questionado sobre como pretende se apresentar como alternativa à polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A entrevista encerrou o ciclo promovido pelo telejornal com candidatos à Presidência.

Na pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira, 21, Renan aparece com 3% das intenções de voto no primeiro turno, ante 4% na rodada anterior.

O levantamento, contratado pela TV Globo e pelo jornal O Globo, ouviu presencialmente 2.004 eleitores entre os dias 17 e 20 de setembro. A margem de erro é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-06004/2026.

Caso Master

O candidato à Presidência pelo Missão afirmou que o jornalismo independente teve papel "fundamental" na divulgação de informações sobre o caso Banco Master. Durante entrevista ao Jornal da Record, o candidato também voltou a defender uma reforma no Judiciário e criticou ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

"O jornalismo independente fez um trabalho fundamental no caso do Banco Master", afirmou Renan ao ser questionado sobre as revelações envolvendo integrantes do Judiciário e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Renan fez críticas ao STF e afirmou que "os ministros estão lá para defender bandido". O candidato defendeu mudanças no Judiciário e maior poder de responsabilização de integrantes da Corte quando houver suspeitas de irregularidades, afirmando que políticos deveriam ter autonomia para julgar ministros que, segundo ele, "estavam fazendo negócio".

Investigações sobre o Banco Master e mensagens obtidas pela Polícia Federal revelaram contatos de Vorcaro com integrantes dos Três Poderes. Reportagens também apontaram relações e encontros do ex-banqueiro com autoridades, enquanto os citados têm apresentado versões distintas e, em diferentes casos, negado irregularidades.

Renan também dirigiu críticas ao Senado. "O STF e os senadores estão envolvidos nos mesmos escândalos", afirmou. Ao mencionar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e Vorcaro, disse que os dois "eram amigos e estavam juntos na mesma foto".

Mensagens apreendidas pela PF mostram que Vorcaro relatou ter participado de uma reunião na residência oficial do Senado em agosto de 2025, sem identificar nominalmente Alcolumbre como participante. O presidente do Senado também já foi alvo de acusações envolvendo o ex-banqueiro, mas negou ter recebido qualquer valor de Vorcaro e classificou as alegações como falsas