Romeu Zema e Ronaldo Caiado participam de debate promovido pela Revista VejaReprodução/Veja

O debate promovido pela revista Veja entre os candidatos à Presidência da República, realizado nesta quarta-feira (23), foi marcado por críticas ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), propostas de ajuste fiscal, ataques à polarização política e promessas de endurecimento no combate ao crime organizado. O encontro reuniu apenas os candidatos Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD).
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Os demais presidenciáveis convidados não participaram. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, retornou recentemente de Nova York, onde discursou na Assembleia Geral da ONU, e cumpriu agenda de campanha no Rio de Janeiro. Flávio Bolsonaro (PL) dedicou o dia a reuniões internas e gravações para a campanha. Já Renan Santos (Missão) manteve compromissos em cidades do interior de São Paulo. Augusto Cury também não compareceu ao debate após informar que não poderia participar em razão da morte do empresário Bruno Avelar no acidente de helicóptero que também vitimou o cantor Rick.

Dividido em três blocos, o debate começou com perguntas entre os próprios candidatos sobre pobreza e corrupção.

Ao abordar o combate à pobreza, Zema criticou a política econômica do governo federal e defendeu responsabilidade fiscal como caminho para o crescimento econômico.

“Todo país que deu certo no mundo teve responsabilidade fiscal. Nós temos um governo que diz que quanto mais ele gasta vai melhorar”, afirmou.

O ex-governador mineiro também citou sua gestão em Minas Gerais, defendendo medidas de contenção de gastos e redução da máquina pública.

Caiado respondeu afirmando que o principal desafio é promover mobilidade social e criar condições para que a população ascenda economicamente por meio do emprego, da educação e do acesso ao crédito.

“O governante tem que ter responsabilidade de tirar o país da pobreza”, declarou.

Segundo o ex-governador de Goiás, programas sociais devem funcionar como instrumentos de inclusão, mas não podem substituir políticas voltadas à geração de oportunidades.

Corrupção e caso Vorcaro

No tema corrupção, os candidatos concentraram suas falas no caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro.
Questionado por Caiado, Zema afirmou que as investigações podem atingir diferentes setores políticos.

“Temos a caixa de pandora aberta e que envolve todos os lados políticos”, disse.

Caiado elevou o tom das críticas e afirmou que o caso precisa ser apurado sem distinções partidárias.

Ao apresentar propostas para aumentar a transparência da administração pública, Zema defendeu a divulgação integral de agendas e despesas de autoridades públicas. Caiado afirmou que agentes públicos que ampliarem significativamente seus patrimônios devem comprovar a origem dos recursos.

Reforma administrativa e economia

No segundo bloco, jornalistas da revista Veja questionaram os candidatos sobre economia, reforma administrativa, segurança pública e relação com o Congresso Nacional.

Ao responder sobre a reforma administrativa, Caiado defendeu meritocracia no serviço público, responsabilização funcional e redução de gastos.

“A reforma administrativa tem que ser no sentido da responsabilidade do servidor cumprir sua função”, afirmou.

Zema voltou a defender a redução da estrutura estatal.

“Temos que diminuir ministérios e servidor deve servir”, declarou.

Questionados sobre medidas econômicas impopulares, ambos citaram experiências de ajuste fiscal em seus estados.

Zema destacou a redução de cargos em Minas Gerais e afirmou que pretende administrar o país utilizando critérios semelhantes aos adotados na iniciativa privada.

Já Caiado afirmou que assumiu Goiás em situação fiscal delicada e que conseguiu recuperar a capacidade financeira do estado por meio de medidas de controle de gastos.

Segurança domina confronto

O tema que gerou o debate mais intenso foi a segurança pública. Caiado afirmou que o Brasil vive uma situação grave de avanço das facções criminosas e defendeu que organizações criminosas sejam enquadradas como grupos terroristas.

“É absurdo. As facções estão dominando o país”, declarou.

O candidato também defendeu a criação de uma força de cooperação internacional para o combate ao crime organizado na América do Sul, além da ampliação de presídios de segurança máxima.

Segundo Caiado, condenados por crimes graves deveriam cumprir ao menos 90% da pena antes de obter progressão de regime.

Zema afirmou que o brasileiro vive com medo da violência e voltou a associar a atuação das facções ao governo petista.

“O crime gosta de Lula”, declarou durante o debate.

Caiado também citou a situação do Rio de Janeiro e afirmou que o Estado precisa recuperar territórios controlados pelo crime.

“O Estado não pode se ajoelhar para bandidos”, disse.

Saúde e tecnologia

Na discussão sobre saúde pública, Caiado defendeu o fortalecimento da atenção básica e a ampliação do uso da telemedicina.

Segundo ele, a integração digital entre unidades de saúde pode reduzir filas e melhorar o atendimento em regiões mais afastadas.

O candidato também propôs o uso de inteligência artificial para organizar a fila de procedimentos de acordo com o grau de gravidade dos pacientes.

Zema voltou a criticar governos petistas e afirmou que encontrou obras e investimentos paralisados na área da saúde quando assumiu o governo de Minas Gerais.

Considerações finais

Nas mensagens finais, Zema pediu mudança política e voltou a criticar o governo federal.
“Se ele quer que esse governo que está aí continue, ou se quer mudar, terá essa oportunidade”, afirmou.

Caiado encerrou defendendo a superação da polarização política.

“Não podemos mais continuar com a polarização que destrói o país. Essa eleição é histórica”, declarou.

O próximo debate presidencial deverá ser no dia 1º de outubro, às 21h20, promovido pela TV Globo, já que o confronto que aconteceria no domingo, dia 27 de setembro, na TV Record, foi cancelado.